Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28“Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.
REFLEXÃO
Jesus desmascara as autoridades religiosas do seu tempo. A parábola mostra que o importante não são as palavras, mas as ações, o fazer. Podemos enganar os outros com nossas belas palavras, mas nossa prática revela nossas intenções e nossas opções. Jesus diz que os pecadores e as prostitutas precedem as autoridades religiosas no Reino de Deus. Enquanto os pecadores e as prostitutas são excluídos do templo por não cumprirem a Lei, levam a sério o caminho da justiça; as autoridades fazem de sua “suposta justiça” a fonte do seu poder, do seu domínio sobre os outros. Portanto, a parábola denuncia a hipocrisia da elite, que se apresenta como cumpridora da vontade de Deus, quando, de fato, não a cumpre. É clara a mensagem, o importante diante de Deus é o fazer. Os grupos desprezados são os verdadeiros herdeiros do Reino dos Céus. Jesus repreende os “bons” porque acham que já estão vivendo de forma honesta e justa e não há mais o que “melhorar”.
(Dia a Dia com o Evangelho 2026 - PAULUS)[1]
Coleta
Ó Deus, que mostrais vosso poder sobretudo no perdão e na misericórdia, derramai em nós a vossa graça, para que, correndo ao encontro das vossas promessas, mereçamos participar dos bens celestes. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos.
Todos são chamados a trabalhar no Reino
Os fariseus e os escribas dividiam os homens em duas classes: os que eles consideravam bons e os que eles consideravam maus. Ou seja: em santos e pecadores. Bons eram aqueles que cumpriam formalmente as 366 leis; provavelmente deveriam ter posses, porque não passava pela cabeça deles que alguém, cumpridor da lei, não fosse recompensado por Deus com bens materiais. Comentamos esse modo de pensar no domingo passado.
Maus eram todos os outros, desde os não judeus até os que exercessem profissões incompatíveis com os horários de prática de lei (pastores e pescadores, por exemplo). A imensa maioria do povo estava nessa segunda classe, por serem pobres.
Os dois filhos da parábola representam as duas classes sociais. A vinha é o que Jesus chamou de ‘Reino dos Céus’, isto é, um modo de viver na presença de Deus. O dono é Deus. Ele convidou a ambos os filhos. A classe que se julgava eleita e santa disse ‘sim’. Mas, um ‘sim’ formal, da boca para fora. Não foi trabalhar na vinha. A outra classe, a dos pecadores, pelo pecado disse ‘não’, mas se arrependeu do pecado e foi para a vinha, isto é, aceitou Jesus e seus ensinamentos, converteu-se e participou do novo povo de Deus, da nova vinha do Senhor.
Jesus tomou dois tipos bem representativos dos ‘maus’. A prostituta, considerada pecadora pública, pega em flagrante; e o publicano, detestado, porque trabalhava para os romanos. Jesus dirigiu-se tanto à primeira quanto à segunda categoria de pessoas. Ambas necessitavam de conversão.
FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]
Fontes:
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