A Palavra de Jesus: o grande dom do Pai - 33° Domingo do Tempo Comum (Ano A )


A Palavra de Jesus: o grande dom do Pai

33º Domingo do Tempo Comum - Ano A

Evangelho de Mateus 
25,14-30 ou 14-15.19-21

[Naquele tempo, Jesus contou esta parábola a seus discípulos: 14“Um homem ia viajar para o estrangeiro. Chamou seus empregados e lhes entregou seus bens. 15A um deu cinco talentos, a outro deu dois e ao terceiro, um; a cada qual de acordo com a sua capacidade. Em seguida viajou.] 16O empregado que havia recebido cinco talentos saiu logo, trabalhou com eles e lucrou outros cinco. 17Do mesmo modo, o que havia recebido dois lucrou outros dois. 18Mas aquele que havia recebido um só saiu, cavou um buraco na terra e escondeu o dinheiro do seu patrão. [19Depois de muito tempo, o patrão voltou e foi acertar contas com os empregados. 20O empregado que havia recebido cinco talentos entregou-lhe mais cinco, dizendo: ‘Senhor, tu me entregaste cinco talentos. Aqui estão mais cinco que lucrei’. 21O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’] 22Chegou também o que havia recebido dois talentos e disse: ‘Senhor, tu me entregaste dois talentos. Aqui estão mais dois que lucrei’. 23O patrão lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Como foste fiel na administração de tão pouco, eu te confiarei muito mais. Vem participar da minha alegria!’ 24Por fim, chegou aquele que havia recebido um talento e disse: ‘Senhor, sei que és um homem severo, pois colhes onde não plantaste e ceifas onde não semeaste. 25Por isso fiquei com medo e escondi o teu talento no chão. Aqui tens o que te pertence’. 26O patrão lhe respondeu: ‘Servo mau e preguiçoso! Tu sabias que eu colho onde não plantei e ceifo onde não semeei? 27Então devias ter depositado meu dinheiro no banco, para que, ao voltar, eu recebesse com juros o que me pertence’. 28Em seguida, o patrão ordenou: ‘Tirai dele o talento e dai-o àquele que tem dez! 29Porque a todo aquele que tem será dado mais, e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que tem lhe será tirado. 30Quanto a este servo inútil, jogai-o lá fora, na escuridão. Aí haverá choro e ranger de dentes!’”


REFLEXÃO:

Jesus se serve do campo da economia para explicar o mistério do Reino de Deus. Enquanto estão neste mundo, os cristãos precisam produzir frutos de justiça, conforme as capacidades que receberam. Ao retornar, a qualquer momento e no fim dos tempos, o patrão (Jesus) pede contas da administração. Cada talento corresponde a enorme quantia. Os dois primeiros servos fazem seus talentos (seus dons) se multiplicar. O prêmio é conviver com o patrão (Deus). O terceiro servo, ao invés, fez mau uso do talento. Defendeu-se, pondo a culpa na exigência do patrão, que o qualificou como “servo mau e preguiçoso”, e o castigou com palavras duras: “fora”, “escuridão”, “choro e ranger de dentes”. É uma forma figurada para indicar que a vida perdeu o sentido. O que estamos fazendo da vida que de Deus recebemos?

(Dia a dia com o Evangelho 2023)[1]

Oração do Dia

Senhor nosso Deus, fazei que a nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa servindo a vós, o criador de todas as coisas. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

A Palavra de Jesus: o grande dom do Pai

Sem fazer julgamento sobre a situação político-econômica, Jesus comparou o senhor rico a si mesmo. Ele veio de fora, veio do céu, comprou com sua vida os campos (a humanidade) e todos os bens da terra. E partiu para “uma viagem” (v. 14). A palavra ‘viagem’ indica um retorno. Jesus retornará da glória celeste à terra. Ao partir, deixou os empregados (as criaturas humanas), cada um com sua responsabilidade, para fazer frutificar os campos e para desenvolver os bens, deixando a cada um a liberdade de ação e a escolha do modo de trabalhar.

À primeira vista a parábola parece falar dos bens materiais por causa da entrega do dinheiro (um talento equivalia mais ou menos ao preço de 35 quilos de prata, dinheiro grande, portanto). Na verdade, o grande tesouro que Jesus deixou em
nossas mãos para fazer frutificar é sua Palavra divina, embora não se excluam os bens materiais.

São Paulo lembrou aos Colossenses que a pregação do Evangelho “está produzindo fruto e crescendo desde o dia em que o povo o escutou e conheceu a verdade e a graça de Deus” (Cl 1,6). Este é o talento deixado por Jesus: a Palavra pregada, a Palavra escutada, a Palavra que se torna graça e verdade, a Palavra que se multiplica para alcançar os confins da terra (Sl 22,28), a Palavra encarnada na pessoa divino-humana de Jesus de Nazaré, o Cristo bendito de Deus (Mc
14,61-62).

FREI CLARÊNCIO NEOTTI, OFM, entrou na Ordem Franciscana no dia 23 de dezembro de 1954. Escritor e jornalista, é autor de vários livros e este comentário é do livro “Ministério da Palavra – Comentários aos Evangelhos dominicais e Festivos”, da Editora Santuário.[2]

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