No dia 2 de agosto, a Família Franciscana celebra com especial alegria a festa de Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula e o chamado Perdão de Assis.
A celebração está profundamente ligada a São Francisco de Assis e à pequena igreja da Porciúncula, lugar onde nasceram alguns dos acontecimentos mais importantes da história franciscana.
Foi naquele espaço simples e amado pelo santo que surgiu a tradição da Indulgência da Porciúncula, um convite à reconciliação com Deus, à conversão do coração e à redescoberta da misericórdia divina.
Nossa Senhora dos Anjos e a Porciúncula
A Porciúncula é uma pequena igreja localizada na planície abaixo da cidade de Assis, na Itália. Atualmente, ela se encontra protegida no interior da imponente Basílica de Santa Maria dos Anjos.
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| A Porciúncula no interior da Basílica de Santa Maria dos Anjos, em Assis, Itália. Foto: Gunnar Bach Pedersen/Wikimedia Commons — domínio público. |
Seu nome vem da expressão latina Portiuncula, que significa “pequena porção” ou “pequena parcela de terra”.
Existem tradições antigas sobre a origem remota da capela, mas nem todos os detalhes transmitidos ao longo dos séculos possuem comprovação histórica. Sabe-se que a pequena igreja já existia antes de São Francisco e esteve sob os cuidados dos monges beneditinos.
No início do século XIII, Francisco restaurou a capela e fez dela um dos lugares mais importantes de sua caminhada espiritual.
Dedicada a Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula tornou-se um centro de oração e fraternidade. Ali, Francisco compreendeu com maior profundidade sua vocação evangélica e reuniu os primeiros irmãos da Ordem dos Frades Menores.
A pequena igreja é considerada o coração espiritual do franciscanismo. Nas proximidades da Porciúncula, São Francisco também acolheu Santa Clara no início de sua consagração religiosa e, anos depois, desejou retornar àquele lugar quando percebeu que se aproximava o fim de sua vida.
Francisco faleceu em 3 de outubro de 1226, nas proximidades da pequena capela que tanto amava.
Como nasceu o Perdão de Assis
Segundo a tradição franciscana, numa noite do ano de 1216, São Francisco encontrava-se em oração na Porciúncula quando teve uma visão de Jesus Cristo e da Virgem Maria cercados por anjos.
Convidado a apresentar um pedido em favor da salvação das almas, Francisco suplicou uma graça extraordinária: que os fiéis verdadeiramente arrependidos, confessados e que visitassem aquela pequena igreja pudessem receber uma indulgência plena.
Cristo teria orientado Francisco a procurar o Papa, seu representante na Terra, para solicitar a concessão.
São Francisco dirigiu-se então ao Papa Honório III, que se encontrava em Perugia. Apesar de o pedido ser incomum para aquele período, o pontífice concedeu sua aprovação.
A tradição conta que, quando lhe perguntaram por quantos anos desejava a indulgência, Francisco respondeu que não estava pedindo anos, mas desejava conduzir almas para Deus.
Assim nasceu a indulgência conhecida como Perdão de Assis ou Indulgência da Porciúncula.
O que é uma indulgência?
A indulgência não é o perdão da culpa dos pecados e não substitui o Sacramento da Reconciliação.
Pela confissão sacramental, o pecado é perdoado e a comunhão com Deus é restaurada. Entretanto, permanecem consequências espirituais que necessitam de purificação.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que:
“A indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida pelos pecados já perdoados quanto à culpa.”
A Igreja, como ministra da redenção, concede essa remissão valendo-se do tesouro espiritual dos méritos de Cristo e dos santos.
A indulgência pode ser:
- parcial, quando remite parte da pena temporal;
- plenária, quando remite toda a pena temporal.
Uma indulgência pode ser recebida pelo próprio fiel ou aplicada, como sufrágio, a uma pessoa falecida. Ela não pode ser transferida para outra pessoa viva.
Quando receber a Indulgência da Porciúncula?
Tradicionalmente, o Perdão de Assis é celebrado desde o meio-dia de 1º de agosto até a meia-noite de 2 de agosto.
A indulgência pode ser obtida por meio de uma visita devota:
- à igreja da Porciúncula, em Assis;
- a uma igreja franciscana;
- ou a uma igreja paroquial.
A Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina, promulgada por São Paulo VI, confirma que no dia 2 de agosto, por ocasião da Porciúncula, pode-se obter a indulgência plenária mediante uma visita devota à igreja e o cumprimento das condições estabelecidas.
A legislação da Igreja também permite que, com o consentimento do bispo diocesano, a celebração seja transferida para o domingo anterior ou posterior.
Condições para receber a indulgência plenária
Para receber a Indulgência da Porciúncula, é necessário:
- realizar uma confissão sacramental, dentro do período indicado pela Igreja;
- participar da Santa Missa e receber a Comunhão Eucarística;
- visitar devotamente uma igreja paroquial ou franciscana;
- rezar o Credo, como profissão da fé cristã;
- rezar o Pai-Nosso;
- rezar pelas intenções do Santo Padre, podendo-se rezar um Pai-Nosso e uma Ave-Maria ou outra oração;
- rejeitar todo apego ao pecado, mesmo venial.
A confissão pode ser realizada alguns dias antes ou depois da obra prescrita. É conveniente, entretanto, que a Comunhão e a oração pelas intenções do Papa sejam realizadas no próprio dia.
Uma única confissão pode servir para a obtenção de mais de uma indulgência plenária em dias diferentes. Porém, para cada indulgência, é necessário receber novamente a Comunhão e rezar pelas intenções do Papa.
A indulgência pode ser recebida várias vezes no mesmo dia?
Não. De acordo com as normas promulgadas por São Paulo VI, uma indulgência plenária pode ser recebida normalmente apenas uma vez ao dia.
As antigas concessões chamadas toties quoties, expressão latina que significa “tantas vezes quantas”, também passaram a seguir essa norma.
A única exceção prevista é a indulgência plenária concedida ao fiel em perigo de morte, que pode ser recebida mesmo que ele já tenha obtido outra indulgência plenária naquele mesmo dia.
Se não houver completo desapego do pecado ou se alguma das condições não for devidamente cumprida, a indulgência será apenas parcial.
Um chamado à reconciliação e à misericórdia
O Perdão de Assis não deve ser compreendido como uma prática automática ou como o simples cumprimento exterior de algumas orações.
No centro dessa devoção encontra-se o chamado à verdadeira conversão.
São Francisco desejava conduzir as pessoas ao encontro com a misericórdia de Deus. Por isso, a indulgência está ligada à confissão, à Eucaristia, à profissão de fé, à oração e à disposição sincera de abandonar o pecado.
Receber o Perdão de Assis é abrir o coração à graça divina e renovar o compromisso de viver o Evangelho com humildade, fraternidade e amor.
Oração a Nossa Senhora dos Anjos
Augusta Rainha dos Céus e Senhora dos Anjos, vós que desde o princípio recebestes de Deus o poder e a missão de esmagar a cabeça de Satanás, humildemente vos rogamos que envieis as legiões celestes para que, às vossas ordens, persigam os espíritos infernais, combatam-nos por toda parte, confundam sua audácia e os precipitem no abismo.
Amém.
Nossa Senhora dos Anjos, Rainha dos Frades Menores,
rogai por nós que recorremos a vós!
Uma pequena igreja que se tornou sinal de esperança
A Porciúncula recorda que Deus pode realizar grandes obras a partir daquilo que é pequeno e simples.
A capela amada por São Francisco tornou-se o berço da Ordem dos Frades Menores e um lugar de reconciliação procurado por peregrinos de diferentes partes do mundo.
A cada ano, o Perdão de Assis renova o convite que marcou profundamente a vida do santo:
reconciliar-se com Deus, acolher sua misericórdia e recomeçar.
Que Nossa Senhora dos Anjos interceda por nós e que São Francisco de Assis nos ensine a procurar o verdadeiro tesouro: a amizade com Deus e a salvação das almas.
Nossa Senhora dos Anjos, rogai por nós!
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Prezada irmã em Cristo,
ResponderExcluirVivemos tempos complicados. A divulgação e defesa da nossa fé é urgente, e a internet é um meio excelente para isso! Durante muito tempo a Igreja Católica ficou passiva diante dos ataques de tantos inimigos que nos odeiam, mas finalmente estamos começando a reagir, esclarecendo às pessoas, instruindo o povo católico. Parabéns por esta iniciativa!
Meu nome é Henrique Sebastião, sou redator de comunicação, designer e ilustrador. Atuo na Pastoral da Comunicação da Arquidiocese de São Paulo; sou articulista e editor de uma revista católica chamada Voz da Igreja, que também é um blog.
Nestes dias de necessária união entre católicos, estou linkando o Devoção e Fé em meu blog, e venho humildemente pedir também a minha inclusão em vossa lista de links, caso considere conveniente:
www.vozdaigreja.blogspot.com
Abraço fraterno, e a Paz de Cristo!
Henrique Sebastião
Olá Adriana... Pude sentir tua alegriaao falar de sua iniciação Cristã...que lindo isso!! Eu preparei uma senhora de 82 anos para usa primeira comunhão... Isso pra te mostrar que não tem idade para completar a IC...
ResponderExcluirAnuncie a todos esse Cristo que brilha em vc...
Grande beijo!
imaculada Cintra
www.imaculadacintra.blogspot.com