domingo, 2 de outubro de 2016

Papa Francisco: Fé e serviço estão interligados

Baku (RV) 02/10/2016 10:40– O primeiro compromisso do Papa, em terras azerbaijanas, foi a solene celebração Eucarística, na igreja da Imaculada Conceição, o primeiro templo católico de Baku, inaugurado em 1912, no Centro dos Salesianos.

Hoje a pequena Comunidade dos Salesianos representa todo o clero do Azerbaijão: 6 sacerdotes, 3 irmãos e um jovem autóctone em formação, prestes a se tornar Diácono. O Centro Salesiano Maryam, dedicado a Nossa Senhora, é composto de um centro educacional para crianças e adolescentes, e refeitório para pobres e refugiados. Com os religiosos Salesianos, trabalham algumas Missionárias da Caridade, muito ativas entre as pessoas idosas e mais necessitadas da capital azerbaijana, e duas Filhas de Maria Auxiliadora.

Assim, o Santo Padre presidiu à celebração da Santa Missa na pequena igreja do Centro Salesiano, que pode conter 300 pessoas.

Em sua homilia, Francisco apresentou, com base na liturgia do dia, dois aspectos essenciais da vida cristã: a fé e o serviço. A propósito da fé, o Papa aconselhou a fazer dois pedidos particulares ao Senhor:

“O primeiro é do profeta Habacuc, que suplica a Deus para intervir e restabelecer a justiça e a paz, que os homens romperam com as violências, lutas e contendas. Mas, Deus não intervém e não resolve com a força a situação. Pelo contrário, convida a aguardar com paciência, sem nunca perder a esperança e a fé”.

Deus não atende a nossa vontade de mudar imediatamente o mundo e os outros, mas quer, antes de tudo, transformar o coração. Ele muda o mundo, mudando os nossos corações, mediante a nossa colaboração. Devemos abrir-lhe a porta do coração, para que ele possa entrar na nossa vida. Trata-se de uma abertura de confiança e de fé. E o Papa passou a explicar o segundo pedido que devemos fazer ao Senhor:

“O segundo pedido é aquele que, no Evangelho, os Apóstolos dirigem ao Senhor: “Aumentai a nossa fé!” É um bom pedido, uma súplica que deveríamos dirigir a Deus todos os dias. Mas a resposta divina é surpreendente: “Se tiverem fé...”. Ele nos pede para ter fé, porque a fé é um dom de Deus e deve sempre ser pedida e cultivada por nós”.

Mas a fé, afirmou Francisco, não é uma força mágica que cai do céu, não é um ‘dote’ pessoal para sempre, tampouco um superpoder para resolver os nossos problemas. A fé não deve ser confundida com bem-estar, como consolação para termos paz no coração. A fé é o fio de ouro que nos liga ao Senhor, a pura alegria de estar unido a Ele. Ao poder da fé, o Senhor acrescenta o poder do serviço. Fé e serviço estão interligados.

Para explicar esta interligação, o Pontífice utilizou a imagem que é muito familiar para os azerbaijanos: os tapetes. “Os seus tapetes, comparou o Papa, são verdadeiras obras de arte, provenientes de uma antiga tradição”.

Assim acontece com a vida cristã, que vem de longe, disse Francisco: é um dom que recebemos na Igreja e provém do coração de Deus, que deseja fazer de cada um de nós “uma obra-prima” da criação e da história. A vida cristã, como acontece com o tapete, tem que ser pacientemente tecida, a cada dia, entrelaçando a fé e o serviço. Assim, a fé causa maravilhas, sempre unida ao serviço. E o Papa perguntou: Mas que é o serviço? E respondeu:

“Poderíamos pensar que (o serviço) consiste apenas em ser fiéis aos nossos deveres ou em praticar uma boa ação. Mas, para Jesus, é muito mais: é disponibilidade total em nossa vida. Ele nos deu o exemplo vindo ao mundo para servir e dar a sua vida. Isto se realiza ainda hoje quando celebramos a Eucaristia, mediante a qual o Senhor está entre nós para servir e amar”.

Portanto, frisou o Papa, não somos chamados a servir apenas para sermos recompensados, mas para imitar Deus, que se fez servo por amor. Logo, o serviço se torna estilo de vida cristã: devemos servir a Deus na adoração e na oração, sendo abertos e disponíveis, amando o próximo e trabalhando com ardor pelo bem comum. Após ter apresentado duas tentações da vida cristã, tepidez e senhoria, Francisco animou o pequeno rebanho azerbaijano:

Estou certo, porém, de que, fixando seus olhos nos exemplos daqueles que lhes precederam na fé, não deixarão entibiar seu coração. Toda a Igreja, que nutre uma simpatia especial por vocês, os encoraja. Vocês são um pequeno rebanho, mas muito precioso aos olhos de Deus”.

Por fim, retomando a imagem do “tapete”, o Santo Padre a aplicou à pequena comunidade católica azerbaijana: cada um é como um esplêndido fio de seda, que, unidos e entrelaçados, criam uma linda composição. E os exortou:

“Permaneçam sempre unidos, vivendo humildemente na caridade e na alegria. O Senhor, que mantém a harmonia entre as diferenças, os protegerá. Por intercessão da Imaculada Conceição e de Santa Teresa de Calcutá, cujos frutos de fé e serviço estão presentes no meio de vocês, acolham as palavras, que resumem a mensagem de hoje: “O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é o serviço. O fruto do serviço é a paz”. (MT) - Fonte: Radio Vaticano

O Papa "perde tempo" em visitar uma comunidade pequena e longínqua?

Baku (RV) 02/10/2016 18:45- Ao final da Missa celebrada na Igreja da Imaculada em Baku, na manhã deste domingo, o Pontífice, falando de improviso, explicou porque viaja tantos quilômetros para encontrar uma pequena comunidade de fieis e exortou os fieis azerbaidjanos à perseverança:

“Alguém, pode pensar que o Papa perde tanto tempo: percorrer tantos quilômetros de viagem para visitar uma pequena comunidade de 700 pessoas, em um país de 2 milhões... E até mesmo é uma comunidade não uniforme, porque entre vocês se fala azero, italiano, inglês, o espanhol..., tantas línguas. É uma comunidade de periferia. Mas o Papa, nisto, imita o Espírito Santo: também Ele desceu do céu em uma pequena comunidade de periferia recolhida dentro do Cenáculo. E àquela comunidade que tinha medo, se sentia pobre e talvez perseguida, ou deixada de lado, encoraja, dá a força, a parresia para seguir em frente e proclamar o nome de Jesus! E as portas daquela comunidade de Jerusalém, que estavam fechadas pelo medo ou pela vergonha, se abrem e desce a força do Espírito! O Papa perde o tempo como perdeu o Espírito Santo naquele tempo! Somente duas coisas são necessárias: naquela comunidade havia a Mãe – nunca esquecer a Mãe! – e naquela comunidade havia caridade, o amor fraterno que o Espírito Santo derramou neles! Em frente! Go ahead! Sem medo, em frente!”. (JE)

Fonte: Radio Vaticano



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