Conheça mais sobre o Milagre de Madre Teresa de Calcutá em Santos - Devoção e Fé - Blog Católico

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Conheça mais sobre o Milagre de Madre Teresa de Calcutá em Santos


Médicos comentam milagre em Santos
Em entrevista a A Tribuna, profissionais que participaram do processo de canonização de Madre Teresa falaram no assunto pela 1º vez.

Sheila Almeida

Pela primeira vez, em entrevista para A Tribuna, médicos participantes do processo que culminará na canonização de Madre Teresa de Calcutá falaram abertamente sobre como viveram e como aconteceu a cura de um engenheiro com problemas neurológicos e que havia sido internado para cirurgia no Hospital São Lucas, em Santos.

O fato ocorreu em 2008 e, na quinta-feira, o papa Francisco assinou o decreto de aceitação do que se considera um milagre, após intercessão à madre. Por causa disso, ela será declarada santa em 4 de setembro de 2016, no Vaticano.

Dos três médicos peritos que participaram do processo de canonização, dois moram em Santos. Um deles é Monica Mazzurana, de 39 anos, especialista em cirurgia bariátrica. O outro profissional é o neurologista Marcus Vinicius Serra, de 39, nascido em Santos, que mantêm uma clínica na Cidade, coordena a Casa de Saúde e o Hospital Frei Galvão e trabalha nos hospitais Sirio Libanês e Santa Paula, em São Paulo.

Milagre

Um homem, Marcilio Haddad Andrino, engenheiro que morava em Santos em dezembro de 2008 e tinha 35 anos na época, foi internado com transtornos neurológicos. Tinha oito abscessos cerebrais que entupiram uma glândula controladora dos fluídos que circulam entre a coluna e o cérebro.

Quando não há a movimentação desses líquidos, há pressão na caixa craniana, que não se expande e faz o paciente entrar em coma. Foi isso o que ocorreu com Marcílio. Segundo especialistas, a partir de dois abscessos na cabeça, a chance de morte é de 90%.

Desde o diagnóstico, ele começou a tomar remédios, mas o quadro só piorava. Vinte dias depois, entrou em coma.

O único jeito de salvar o paciente era uma cirurgia de drenagem, que precisou ser adiada porque um dos equipamentos de anestesia precisava ser agendado para uso.

Na data da cirurgia, outro médico que atua em Santos, João Luis Cabral Junior, de 44 anos, neurologista, operaria o paciente. Enquanto ele foi buscar um catéter para iniciar o procedimento, o paciente acordou.

Segundo o padre Caetano Rizzi, a família do engenheiro recebeu a medalha e a oração de Madre Teresa das mãos do pároco da Igreja Nossa Senhora Aparecida, de São Vicente, padre Elmiran Ferreira. Rizzi é vigário judicial do Tribunal Eclesiástico Diocesano de Santos – a ser criado nesta semana – e primo da médica Monica Mazzurana,

O caso demorou para vir à tona porque só depois que o engenheiro se mudou para o Rio de Janeiro, se consultou com outro profissional, ligado à comunidade católica Canção Nova. Ele tinha sido convocado para ser o médico da vinda do papa Francisco à Jornada Mundial da Juventude e aproveitou a proximidade para contar ao pontífice que poderia ter ocorrido um milagre em Santos. Ali se iniciou a investigação.

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"Eu nunca fui tão sabatinado "
Neurologista santista Marcus Vinicius Serra, de 39 anos, foi muito questionado

Foram quatro dias de estudo, análise de exames e perguntas a testemunhas para a pior sabatina da vida do neurologista santista Marcus Vinicius Serra, de 39 anos, que coordena a área nos hospitais santistas Casa de Saúde e Frei Galvão.

Ele teria de decidir se o caso de cura em 24 horas de um quadro gravíssimo era explicável cientificamente. O peso da resposta contribuiria ou não para que um milagre fosse atribuído a Madre Teresa.

Pai de dois filhos, o médico não pôde contar à família o que estava acontecendo. Recebeu o convite para participar, chorou, e ninguém entendeu.

Após juramentos inclusive com as mãos sobre a Bíblia, ninguém poderia saber que o processo estaria ocorrendo até que o papa o autorizasse.

Por ser casado e com a mulher grávida na época da convocação, Serra era o único que podia voltar para casa à noite. “Eu só dizia a ela que estava em um retiro, trabalhando. Precisei esconder (o que fazia) e disse que um dia ela iria se orgulhar”, conta o médico.

Seu único medo era o de que imprensa e outras pessoas achassem que ele poderia usar o caso para se promover. “Se eu pudesse, não iria falar. E confesso que fiquei com medo de a Igreja pedir para eu dizer que foi mesmo um milagre. Mas quatro dias depois (do convite à participação), chegou uma comitiva do Vaticano com dois monsenhores. Nunca fui tão sabatinado na minha vida. E isso me deixou feliz. Senti que eles queriam que fosse sério”.

Após negar que a melhora pudesse se explicar cientificamente, o neurologista soube que outros profissionais do ramo no Rio de Janeiro, nos Estados Unidos e na Itália também avaliariam os exames.

“Fiz um relatório final e coloquei o que consegui explicar. Entreguei a via num pen drive e, como pedido, a deletei do meu computador. No total, toda a documentação ficou com 400 páginas: uma foi para o Vaticano, outra está em Santos e uma fica lacrada, não sei onde”.
Para ele, o melhor jeito de resumir o que sente é acreditar que todos têm uma missão. “Uma dessas missões minhas, descobri, é levar o nome de Madre Teresa ao mundo. Estou anestesiado. Não sei o que dizer”, resume o católico, emocionado.

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“Caso não teria solução cirúrgica”
A cirurgiã bariátrica não podia imaginar que, depois daquela surpresa, estaria hoje entre os três médicos brasileiros atuantes no processo de canonização

“Tudo começou quando recebi uma ligação perguntando se eu tinha disponibilidade de trabalhar por três, quatro dias inteiros, para o Vaticano”, diz Monica Mazzurana Benetti, de 39 anos. A cirurgiã bariátrica dos hospitais Guilherme Álvaro e Beneficência Portuguesa não podia imaginar que, depois daquela surpresa, estaria hoje entre os três médicos brasileiros atuantes no processo de canonização de Madre Teresa de Calcutá.

Nascida em Gramado (RS), mas em Santos há 15 anos, ela teve menos de uma semana para se esquecer de fé, devoção e religião para se voltar somente à análise científica dos fatos.

“Minha função como perita era avaliar o exame físico atual, ver se tinha alguma sequela e só encontrei nele uma leve alteração na marcha ao caminhar na ponta dos pés e um desvio de olhar. No mais, ele está absolutamente normal. Teve dois filhos depois disso e vive normalmente”, conta ela.

Antes disso, ela revisou todo o prontuário do paciente e teve acesso a todas as tomografias. Era entre 18 e 23 de junho, numa sala da casa do bispo diocesano, dom Tarcísio Scaramussa, na Ponta da Praia – palco de todo o processo que teve 14 testemunhas ouvidas e sabatinadas, primeiro separadamente e, depois, juntas.

“Sozinha no quarto, quando peguei as tomografias com as evidências que num dia tinha hidrocefalia e no outro, nada, naquela hora me ajoelhei e entendi que o milagre estava acontecendo. Realmente, é inacreditável. Não teria como ser resolvido se não fosse cirurgicamente”, chora.

Segundo a médica, um religioso oriundo de Roma e que participou do processo chamou muito a atenção de todos, para lembrar que os médicos estavam ali como cientistas, e não, como católicos. “Na verdade, não fomos nós que decidimos que era ou não milagre. Simplesmente respondíamos à pergunta: ‘Há como comprovar a melhora cientificamente?’. E minha resposta foi não”.

“Todo mundo envolvido tem um motivo para estar ali. Não sei o meu, mas não tenho dúvida disso. Acho que fomos instrumentos de Deus para mostrar o exemplo de Madre Teresa e tentar transformar este mundo tão materialista num lugar mais humano”, diz. 

Fonte: ATribuna

Assista a entrevista da TV Tribuna com os médicos. https://youtu.be/5gvRr33rvMo




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