domingo, 29 de novembro de 2015

Papa Francisco abre o Jubileu da Misericórdia da República Centro-Africana (29/11/2015)


Bangui (RV) – O Papa Francisco inaugurou oficialmente o Ano Santo da Misericórdia na República Centro-Africana ao abrir, no início da noite de domingo (29/11), a Porta Santa na Catedral de Nossa Senhora da Conceição de Bangui.

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)

EUCARISTIA COM SACERDOTES, CONSAGRADOS E LEIGOS COMPROMETIDOS
ABERTURA DA PORTA SANTA

Catedral de Bangui (República Centro-Africana)
Domingo, 29 de Novembro de 2015


"Hoje, Bangui se transforma na capital espiritual do mundo. O Ano Santo da Misericórdia chega antes à esta terra, uma terra que há muitos anos sofre com a guerra, o ódio, a incompreensão, a falta de paz", disse o Pontífice antes de abrir a Porta Santa, de madeira e vidro. 

"Nesta terra sofredora – continuou o Papa – estão todos os países que viveram a cruz da guerra. Bangui se transforma na capital espiritual da oração pela misericórdia do Pai. Todos pedimos paz, misericórdia, reconciliação, perdão, amor. Por Bangui, por toda a República Centro-Africana e por todos os países que sofrem com a guerra, pedimos a paz!".

Em seguida, falando em idioma local, Francisco pediu a todos os fiéis para que repetissem com ele a seguinte oração: "Ndoye siriri, (Todos juntos pedimos) amor e paz!".

"E agora, prosseguiu o Papa, com esta oração começamos o Ano Santo aqui, nesta capital espiritual do mundo hoje". O Pontífice então voltou-se à porta principal da catedral, abrindo-a e, por alguns instantes, permaneceu com os braços abertos, enquanto dentro da igreja fiéis aplaudiam e se ajoelhavam.

Já em sua homilia, dirigindo-se aos sacerdotes, religiosos, religiosas e seminaristas, Francisco destacou que “os agentes de evangelização devem ser, antes de mais nada, artesãos do perdão, especialistas da reconciliação, peritos da misericórdia”.

E acrescentou:

“Mesmo quando se desencadeiam as forças do mal, os cristãos devem responder ao apelo, de cabeça erguida, prontos a resistir nesta batalha em que Deus terá a última palavra. E será uma palavra de amor”.


Abaixo, publicamos a íntegra da homilia do Papa

***

Neste I Domingo de Advento, tempo litúrgico da expectativa do Salvador e símbolo da esperança cristã, Deus guiou os meus passos até junto de vocês, nesta terra, enquanto a Igreja no mundo inteiro se prepara para inaugurar o Ano Jubilar da Misericórdia.

E sinto-me particularmente feliz pelo fato de a minha visita pastoral coincidir com a abertura em seu país deste Ano Jubilar. A partir desta Catedral, com o coração e o pensamento, quero alcançar afetuosamente todos os sacerdotes, os consagrados, os agentes pastorais deste país, que estão espiritualmente unidos conosco neste momento.

Em vocês, quero saudar todos os centro-africanos, os doentes, as pessoas idosas, os feridos pela vida. Talvez alguns deles estejam desesperados e já não tenham força sequer para reagir, esperando apenas uma esmola, a esmola do pão, a esmola da justiça, a esmola de um gesto de atenção e bondade.

Mas, como os apóstolos Pedro e João que subiam ao templo e não tinham ouro nem prata para dar ao paralítico indigente, venho oferecer-lhes a força e o poder de Deus que curam o homem, fazem-no levantar e tornam-no capaz de começar uma nova vida, «passando à outra margem» (cf. Lc 8, 22).

Jesus não nos envia sozinhos para a outra margem, mas convida-nos a fazer a travessia juntamente com Ele, respondendo cada qual a uma vocação específica. Devemos, pois, estar cientes de que esta passagem para a outra margem só se pode fazer com Ele, libertando-nos das concepções de família e de sangue que dividem, para construir uma Igreja-Família de Deus, aberta a todos, que cuida dos mais necessitados.

Proximidade

Isto pressupõe a proximidade aos nossos irmãos e irmãs, isto implica um espírito de comunhão. Não se trata primariamente de uma questão de recursos financeiros; realmente basta compartilhar a vida do Povo de Deus, dando a razão da esperança que está em nós (cf. 1 Ped 3, 15), sendo testemunhas da misericórdia infinita de Deus, que – como sublinha o Salmo Responsorial deste domingo - «é bom e (…) ensina o caminho aos pecadores» (Sal 25/24, 8). Jesus ensina-nos que o Pai celeste «faz com que o Sol se levante sobre os bons e os maus» (Mt 5, 45).

Depois de nós mesmos termos feito a experiência do perdão, devemos perdoar. Aqui está a nossa vocação fundamental: «Portanto, sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (Mt 5, 48). Uma das exigências essenciais desta vocação à perfeição é o amor aos inimigos, que protege contra a tentação da vingança e contra a espiral das retaliações sem fim. Jesus fez questão de insistir sobre este aspecto particular do testemunho cristão (cf. Mt 5, 46-47).

Consequentemente, os agentes de evangelização devem ser, antes de mais nada, artesãos do perdão, especialistas da reconciliação, peritos da misericórdia. É assim que podemos ajudar os nossos irmãos e irmãs a «passar à outra margem», revelando-lhes o segredo da nossa força, da nossa esperança, e da nossa alegria que têm a sua fonte em Deus, porque estão fundadas na certeza de que Ele está conosco no barco. Como fez com os Apóstolos na altura da multiplicação dos pães, é a nós que o Senhor confia os seus dons para irmos distribuí-los por todo o lado, proclamando a sua palavra que garante: «Eis que virão dias em que cumprirei a promessa favorável que fiz à casa de Israel e à casa de Judá» (Jr 33, 14).

Nos textos litúrgicos deste domingo, podemos descobrir algumas características desta salvação anunciada por Deus, que servem igualmente como pontos de referência para nos guiar na nossa missão. Antes de mais nada, a felicidade prometida por Deus é anunciada em termos de justiça. O Advento é o tempo para preparar os nossos corações a fim de acolher o Salvador, isto é, o único Justo e o único Juiz capaz de dar a cada um a sorte que merece. Aqui, como em outros lugares, muitos homens e mulheres têm sede de respeito, justiça, equidade, sem avistar no horizonte qualquer sinal positivo.

Vinda do Salvador

Para eles, o Salvador vem trazer o dom da sua justiça (cf. Jr 33, 15). Vem tornar fecundas as nossas histórias pessoais e coletivas, as nossas esperanças frustradas e os nossos votos estéreis. E manda-nos anunciar sobretudo àqueles que são oprimidos pelos poderosos deste mundo, bem como a quantos vivem vergados sob o peso dos seus pecados: «Judá será salvo e Jerusalém viverá em segurança. Este é o nome com o qual será chamada: “Senhor-nossa justiça”» (Jr 33, 16). Sim, Deus é Justiça! Por isso mesmo nós, cristãos, somos chamados a ser no mundo os artesãos duma paz fundada na justiça.

A salvação que esperamos de Deus, tem igualmente o sabor do amor. Na verdade, preparando-nos para o mistério do Natal, assumimos de novo o caminho do povo de Deus para acolher o Filho que nos veio revelar que Deus não é só Justiça mas é também e antes de tudo Amor (cf. 1 Jo 4, 8).

Em todos os lugares, mas sobretudo onde reinam a violência, o ódio, a injustiça e a perseguição, os cristãos são chamados a dar testemunho deste Deus que é Amor.

Reconhecimento humilde

Ao encorajar os sacerdotes, as pessoas consagradas e os leigos que, neste país, vivem por vezes até ao heroísmo as virtudes cristãs, reconheço que a distância, que nos separa do ideal tão exigente do testemunho cristão, às vezes é grande.

Por isso faço minhas, sob a forma de oração, estas palavras de São Paulo: «O Senhor vos faça crescer e superabundar de caridade uns para com os outros e para com todos» (1 Ts 3, 12). A este respeito, deve permanecer presente no nosso horizonte como um farol o testemunho dos pagãos sobre os cristãos da Igreja Primitiva: «Vede como se amam, amam-se verdadeiramente» (Tertuliano, Apologético, 39, 7).

Por fim, a salvação anunciada por Deus reveste o carácter de uma força invencível que triunfará sobre tudo. De fato, depois de ter anunciado aos seus discípulos os sinais tremendos que precederão a sua vinda, Jesus conclui: «Quando estas coisas começarem a acontecer, cobrai ânimo e levantai a cabeça, porque a vossa redenção está próxima» (Lc 21, 28). E, se São Paulo fala de um amor «que cresce e superabunda», é porque o testemunho cristão deve refletir esta força irresistível de que se trata no Evangelho.

Assim, é também no meio de convulsões inauditas que Jesus quer mostrar o seu grande poder, a sua glória incomparável (cf. Lc 21, 27) e a força do amor que não recua diante de nada, nem diante dos céus transtornados, nem diante da terra em chamas, nem diante do mar revolto. Deus é mais forte que tudo. Esta convicção dá ao crente serenidade, coragem e a força de perseverar no bem frente às piores adversidades. Mesmo quando se desencadeiam as forças do mal, os cristãos devem responder ao apelo, de cabeça erguida, prontos a resistir nesta batalha em que Deus terá a última palavra. E será uma palavra de amor.

A todos aqueles que usam injustamente as armas deste mundo, lanço um apelo: deponde esses instrumentos de morte; armai-vos, antes, com a justiça, o amor e a misericórdia, autênticas garantias de paz. Discípulos de Cristo, sacerdotes, religiosos, religiosas ou leigos comprometidos neste país de nome tão sugestivo, situado no coração da África e que é chamado a descobrir o Senhor como verdadeiro Centro de tudo o que é bom, a vossa vocação é encarnar o coração de Deus no meio dos vossos concidadãos. Oxalá o Senhor nos torne a todos «firmes (...) e irrepreensíveis na santidade diante de Deus, nosso Pai, por ocasião da vinda de Nosso Senhor Jesus com todos os seus santos» (1 Ts 3, 13). Assim seja!

Fonte: Radio Vaticano



Papa Francisco na África: Em casa de caridade, Papa cita vítimas da cultura "usa e joga fora" (28/11/2015)


Campala (RV) – O Papa visitou, na tarde de sábado (28/11), a Casa de caridade de Nalukolongo, fundada em 1978 e confiada às Irmãs do Bom Samaritano. A casa Mapeera Bakateyamba abriga, atualmente, 100 pessoas, entre idosos, portadores de deficiências e sem-teto – independentemente de religião.

Na origem da fundação da Bakateyamba está o ideal do falecido cardeal ugandense Dom Emmanuel Kikwanuda Nsubuga, por muitos anos arcebispo de Campala, que o Papa Francisco recordou em seu rápido discurso cuja íntegra publicamos abaixo:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)

VISITA À CASA DE CARIDADE DE NALUKOLONGO

DISCURSO DO SANTO PADRE

Kampala (Uganda)
Sábado, 28 de Novembro de 2015


Queridos amigos!

Obrigado pela vossa recepção calorosa. Grande era o meu desejo de visitar esta Casa da Caridade, que o Cardeal Nsubuga fundou aqui em Nalukolongo. Este lugar sempre apareceu associado com o empenho da Igreja a favor dos pobres, dos deficientes e dos doentes. Aqui, nos primeiros tempos, crianças foram resgatadas da escravidão e mulheres receberam uma educação religiosa. Saúdo as Irmãs do Bom Samaritano, que continuam esta obra estupenda, e agradeço os seus anos de serviço silencioso e feliz no apostolado. E aqui, aqui está presente Jesus, porque Ele disse que sempre estará presente entre os pobres, os doentes, os encarcerados, os deserdados, aqueles que sofrem. Aqui está jesus.

Saúdo também os representantes de muitos outros grupos de apostolado, que cuidam das necessidades dos nossos irmãos e irmãs no Uganda. Penso, em particular, no grande e frutuoso trabalho feito com as pessoas doentes do SIDA. Sobretudo saúdo a quem habita nesta Casa e noutras como esta, e a quantos beneficiam das obras da caridade cristã. É que esta é mesmo uma casa! Aqui podeis encontrar carinho e solicitude; aqui podeis sentir a presença de Jesus, nosso irmão, que ama a cada um de nós com um amor que é próprio de Deus.

A partir desta Casa, quero hoje dirigir um apelo a todas as paróquias e comunidades presentes no Uganda – e no resto da África – para que não esqueçam os pobres, não esqueçam os pobres! O Evangelho impõe-nos sair para as periferias da sociedade a fim de encontrarmos Cristo na pessoa que sofre e em quem passa necessidade. O Senhor diz-nos, em termos inequívocos, que nos julgará sobre isto. É triste quando as nossas sociedades permitem que os idosos sejam descartados ou esquecidos. É reprovável quando os jovens são explorados pela escravidão actual do tráfico de seres humanos. Se olharmos atentamente para o mundo ao nosso redor, parece que, em muitos lugares, campeiam o egoísmo e a indiferença. Quantos irmãos e irmãs nossos são vítimas da cultura actual do «usa e joga fora», que gera desprezo sobretudo para com crianças nascituras, jovens e idosos.

Como cristãos, não podemos ficar simplesmente a olhar, ficar a olhar o que acontece sem nada fazer. Qualquer coisa tem de mudar! As nossas famílias devem tornar-se sinais ainda mais evidentes do amor paciente e misericordioso de Deus não só pelos nossos filhos e os nossos idosos, mas por todos aqueles que passam necessidade. As nossas paróquias não devem fechar as portas e os ouvidos ao grito dos pobres. Trata-se da via-mestra do discipulado cristão. É assim que damos testemunho do Senhor que veio, não para ser servido, mas para servir. Assim mostramos que as pessoas contam mais do que as coisas, e que aquilo que somos é mais importante do que o que possuímos. De facto, é justamente naqueles que servimos que Cristo Se nos revela cada dia a Si mesmo e prepara a recepção que esperamos ter um dia no seu Reino eterno.

Queridos amigos, através de gestos simples, através de actos simples e devotos que honram a Cristo nos seus irmãos e irmãs mais pequeninos, fazemos entrar a força do seu amor no mundo e mudamo-lo realmente. Mais uma vez vos agradeço pela vossa generosidade e pela vossa caridade. Lembrar-vos-ei sempre nas minhas orações e peço-vos, por favor, que rezeis por mim. Confio-vos todos à terna protecção de Maria, nossa Mãe, e dou-vos a minha bênção.

Omukama Abakuume! [Deus vos proteja!]

Fonte: Radio Vaticano
Discurso: Vatican.va 



Os Últimos Tempos-1º Domingo do Advento (Ano C)


Os Últimos Tempos

1° Domingo do Advento

Evangelho de Lc 21,25-28.34-36

25. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra a aflição e a angústia apoderar-se-ão das nações pelo bramido do mar e das ondas.
26. Os homens definharão de medo, na expectativa dos males que devem sobrevir a toda a terra. As próprias forças dos céus serão abaladas.
27. Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade.
28. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação.
34. Velai sobre vós mesmos, para que os vossos corações não se tornem pesados com o excesso do comer, com a embriaguez e com as preocupações da vida; para que aquele dia não vos apanhe de improviso.
35. Como um laço cairá sobre aqueles que habitam a face de toda a terra.
36. Vigiai, pois, em todo o tempo e orai, a fim de que vos torneis dignos de escapar a todos estes males que hão de acontecer, e de vos apresentar de pé diante do Filho do Homem
.
Reflexão

Tem início um novo tempo litúrgico na vida da Igreja; é tempo de espera, e o que esperamos? Esse tempo convida-nos a nos prepararmos para acolher o projeto de Deus, que é de libertação, por isso Ele se encarna. É tempo de esperar o Messias, o libertador, o Cristo que vem nos resgatar do egoísmo, do pecado, da morte e de tudo que nos impede de viver a dignidade de filhos e filhas de Deus. Somos chamados a nos comprometer com a justiça do Reino de Deus, que nos mantém de pé diante dele. Os "sinais" catastróficos apresentados não são um quadro do "fim do mundo"; são imagens utilizadas pelos profetas para falar do "dia do Senhor". O quadro destina-se, portanto, não a amedrontar, mas a abrir os corações à esperança: quando Jesus vier com a Sua autoridade soberana, o mundo velho do egoísmo e da escravidão cairá e surgirá o dia novo da salvação e da libertação sem fim. Há, ainda, um convite à vigilância, é necessário manter uma atenção constante, a fim de que as preocupações terrenas não impeçam os discípulos de reconhecer e de acolher o Senhor que vem. [a]

Oração

Senhor meu Deus, às vezes a ilusão toma conta de mim. Imagino que a vida irá durar para sempre, que as coisas são eternas, que os afetos não mudam. Vós me ensinais o que a experiência humana já me dizia: tudo passa. Ou melhor: tudo passa, menos a vida e os bens eternos que nos ofereceis. Ajudai-me a viver intensamente a vida que me dais, fazendo que seja sementeira da vida plena e total na participação de vossa felicidade. Assim, mesmo as realidades menores e mais transitórias ganham valor eterno. Não permitais que me afogue em fontes que não podem apagar minha sede. Fazei-me cada vez mais sedento da água que só vós me podeis dar, para que não volte a ter sede e não precise procurar outros poços. Que eu esteja vigilante a vossa espera. Amém. [b]

Fonte: Revista O Mílite (novembro/2015) [a]
Revista de Aparecida (novembro/2015) [b]



Papa Francisco: Homilia na Missa em Uganda-África (28/11/2015)

Missa em Uganda: herança dos mártires não seja peça de museu 

Campala (RV) – O ponto alto das atividades do Papa Francisco em Campala, na manhã deste sábado (28/11), foi a celebração Eucarística em memória dos Mártires de Uganda no Santuário católico de Namugongo.

Antes da Santa Missa, o Papa visitou o Santuário Anglicano dos Mártires construído no lugar da morte dos 25 mártires de Uganda, católicos e anglicanos (1884-1887), cujas relíquias são veneradas em uma Capela vizinha.

Acolhido pelo Arcebispo Anglicano local, na presença de outros 40 Bispos anglicanos, o Bispo de Roma inaugurou uma placa comemorativa e visitou o lugar onde os 25 mártires foram condenados, torturados e assassinados. Após alguns momentos de oração silenciosa, Francisco se transferiu de papamóvel ao Santuário Católico dos Mártires ugandenses, a cerca de 3 km.

O Santuário Nacional católico de Namugongo surge no grande parque natural. Sob o altar-mor encontra-se o lugar onde São Carlos Lwanga foi queimado vivo, em 3 de junho de 1886, junto com seus Companheiros mártires, durante as perseguições anticristãs em Uganda.

Neste Santuário Nacional, o Santo Padre celebrou a Missa votiva de São Carlos Lwanga e Companheiros Mártires por ocasião do seu 50° aniversário de Canonização. Participaram da celebração, além dos milhares de fiéis, também o Chefe de Estado e o descendente da dinastia dos Soberanos de Buganda, rei Ronald Muwenda Mutebi XI. [1]

Confira a Homilia na íntegra:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)
SANTA MISSA PELOS MÁRTIRES UGANDESES
HOMILIA DO SANTO PADRE

Santuário Católico dos Mártires de Namugongo (Uganda)
Sábado, 28 de Novembro de 2015

«Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (Act 1, 8).

Desde a Idade Apostólica até aos nossos dias, surgiu um grande número de testemunhas que proclamam Jesus e manifestam a força do Espírito Santo. Hoje lembramos, com gratidão, o sacrifício dos mártires ugandeses, cujo testemunho de amor a Cristo e à sua Igreja chegou, justamente, até «aos confins do mundo». Recordamos também os mártires anglicanos, cuja morte por Cristo dá testemunho do ecumenismo do sangue. Todas estas testemunhas cultivaram o dom do Espírito Santo na sua vida e, livremente, deram testemunho da sua fé em Jesus Cristo, mesmo a preço da vida, e vários deles numa idade muito jovem.

Também nós recebemos o dom do Espírito para nos fazer filhos e filhas de Deus, mas também para dar testemunho de Jesus e torná-Lo conhecido e amado em todos os lugares. Recebemos o Espírito, quando renascemos no Baptismo e quando fomos reforçados com os seus dons na Confirmação. Cada dia somos chamados a aprofundar a presença do Espírito Santo na nossa vida, a «reavivar» o dom do seu amor divino para sermos, por nossa vez, fonte de sabedoria e de força para os outros.

O dom do Espírito Santo é-nos concedido para ser partilhado. Une-nos uns aos outros como fiéis e membros vivos do Corpo místico de Cristo. Não recebemos o dom do Espírito só para nós mesmos, mas para nos edificarmos uns aos outros na fé, na esperança e no amor. Penso nos Santos José Mkasa e Carlos Lwanga que, depois de ter sido instruídos na fé pelos outros, quiseram transmitir o dom que receberam. Fizeram-no em tempos perigosos: não só a vida deles estava ameaçada, mas também a vida dos mais novos, confiados aos seus cuidados. Dado que tinham cultivado a fé e crescido no amor a Deus, não tiveram medo de levar Cristo aos outros, inclusive a preço da vida. A fé deles tornou-se testemunho; venerados hoje como mártires, o seu exemplo continua a inspirar muitas pessoas no mundo. Continuam a proclamar Jesus Cristo e a força da Cruz.

Se nós, como os mártires, reavivarmos diariamente o dom do Espírito que habita nos nossos corações, tornar-nos-emos certamente naqueles discípulos-missionários que Cristo nos chama a ser. Sê-lo-emos sem dúvida para as nossas famílias e os nossos amigos, mas também para aqueles que não conhecemos, especialmente para quantos poderiam ser pouco benévolos e até mesmo hostis para connosco. Esta abertura aos outros começa na família, nos nossos lares, onde se aprende a caridade e o perdão, e onde, no amor dos nossos pais, se aprende a conhecer a misericórdia e o amor de Deus. A referida abertura exprime-se também no cuidado pelos idosos e os pobres, as viúvas e os órfãos.

O testemunho dos mártires mostra a quantos, ontem e hoje, ouviram a sua história que os prazeres mundanos e o poder terreno não dão alegria e paz duradouras. Mas são a fidelidade a Deus, a honestidade e integridade da vida e uma autêntica preocupação pelo bem dos outros que nos trazem aquela paz que o mundo não pode oferecer. Isto não diminui a nossa solicitude por este mundo, como se nos limitássemos a olhar para a vida futura; pelo contrário, dá uma finalidade à vida neste mundo e ajuda-nos a ir ter com os necessitados, a cooperar com os outros em prol do bem comum e a construir uma sociedade mais justa, que promova a dignidade humana, sem excluir ninguém, que defenda a vida, dom de Deus, e proteja as maravilhas da natureza, a criação, a nossa casa comum.

Queridos irmãos e irmãs, esta é a herança que recebestes dos mártires ugandeses: vidas marcadas pela força do Espírito Santo, vidas que ainda hoje testemunham o poder transformador do Evangelho de Jesus Cristo. Não tomamos posse desta herança com uma comemoração passageira ou conservando-a num museu como se fosse uma jóia preciosa. Mas honramo-la verdadeiramente, como honramos todos os Santos, quando levamos o seu testemunho de Cristo para os nossos lares e a nossa vizinhança, para os locais de trabalho e a sociedade civil, quer permaneçamos em nossas casas, quer tenhamos de ir até ao canto mais remoto do mundo.

Que os mártires ugandeses juntamente com Maria, Mãe da Igreja, intercedam por nós, e o Espírito Santo acenda em nós o fogo do amor divino.

Omukama Abawe Omukisa! [Deus vos abençoe!]

Fonte: Radio Vaticano [1]
Homilia: Vatican.va



Papa Francisco na África: Não aceitar o "açúcar da corrupção" (27/11/2015)

Papa aos jovens quenianos: não aceitar o "açúcar da corrupção"

Nairóbi (RV) – O momento mais emblemático da visita do Papa a Nairóbi, até então, aconteceu durante o encontro com os jovens quenianos, no Estádio de Kasarani, na manhã da sexta-feira, (27/11). Francisco pediu aos 70 mil jovens presentes para dar-se as mãos contra o tribalismo, que afasta e divide e formar uma grande corrente humana, que representa toda a nação queniana.

Aos milhares de jovens, Francisco exortou a rejeitar o “açúcar da corrupção” que dissipa a alegria e a paz interior; o excesso da corrupção leva nações e instituições a sofrer de diabetes. A corrupção é um capítulo dramático para a África, mas também para numerosos países, como o próprio Vaticano.[1]
Confira o Discurso na íntegra:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)
ENCONTRO COM OS JOVENS
DISCURSO DO SANTO PADRE

Estádio Kasarani, Nairobi (Quénia)
Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

Muito obrigado pelo terço que rezastes por mim. Obrigado, muito obrigado!

Obrigado pela vossa presença, pela vossa entusiasta presença aqui! Obrigado, Linette e Manuel, pelas vossas reflexões.

Há uma pergunta que está na base de todas as perguntas que me fizeram Linette e Manuel: «Porque acontecem as divisões, as lutas, a guerra, a morte, o fanatismo, a destruição entre os jovens? Porque há este desejo de nos autodestruirmos? Nas primeiras páginas da Bíblia, depois de todas as maravilhas que Deus fez, um irmão mata o seu próprio irmão. O espírito do mal leva-nos à destruição; o espírito do mal leva-nos à desunião, leva-nos ao tribalismo, à corrupção, à dependência da droga... Leva-nos à destruição através do fanatismo.

Manuel perguntava-me: «Que fazer para que um fanatismo ideológico não nos roube um irmão, não nos roube um amigo?» Há uma palavra que pode parecer incómoda, mas não a quero evitar, porque vós a usastes antes de mim: usaste-la quando me trouxestes os terços, contando os terços que rezastes por mim; usou-a também o Bispo, quando vos apresentou, dizendo que vos preparastes para esta visita com a oração. A primeira coisa que eu diria é que um homem perde o melhor do seu ser humano, uma mulher perde o melhor da sua humanidade, quando se esquece de rezar, porque se sente omnipotente, porque não sente necessidade de pedir ajuda ao Senhor à vista de tantas tragédias.

A vida está cheia de dificuldades, mas há duas maneiras de olhar as dificuldades: ou se olham como algo que te bloca, que te destrói, que te paralisa, ou se olham como uma oportunidade real. A escolha depende de vós: para mim, uma dificuldade é caminho de destruição ou oportunidade para superar a minha situação, a da minha família, da minha comunidade, do meu país?

Moços e moças, não vivemos no céu; vivemos na terra. E a terra está cheia de dificuldades. A terra está cheia não só de dificuldades, mas também de atractivos para o mal. Mas há algo que todos vós, jovens, tendes e que dura por um certo tempo, um período mais ou menos longo: a capacidade de escolher qual caminho quero seguir, qual destas duas coisas quero escolher: deixar-me vencer pela dificuldade ou transformar a dificuldade numa oportunidade, para que a vencer seja eu?

Algumas das dificuldades que mencionastes são verdadeiros desafios. Assim, primeiro, impõe-se uma pergunta: quereis superar estes desafios ou deixar-vos vencer pelos desafios? Quereis ser como os atletas que, quando vêm jogar aqui no estádio, querem ganhar, ou como aqueles que já venderam a vitória aos outros e meteram o dinheiro ao bolso? A escolha é vossa!

Um desafio que mencionou Linette é o do tribalismo. O tribalismo destrói uma nação; o tribalismo significa ter as mãos escondidas atrás das costas com uma pedra em cada uma delas para jogá-la contra o outro. O tribalismo só se vence com o ouvido, com o coração e com a mão. Com o ouvido, escutando: Qual é a tua cultura? Porque és assim? Porque tem a tua tribo este hábito, este costume? A tua tribo sente-se superior ou inferior? Com o coração: depois de ter escutado a resposta com os ouvidos, abro o meu coração; e, depois, estendo a mão para continuar o diálogo. Se não dialogardes entre vós e não vos ouvirdes, então haverá sempre o tribalismo, que é como um verme que corrói a sociedade. O dia de ontem – para vós, fazemo-lo hoje – foi declarado dia de oração e de reconciliação. Agora quero convidar a todos vós, jovens – à Linette e ao Manuel para virem aqui – a darmo-nos as mãos uns aos outros; pomo-nos de pé e damo-nos as mãos como sinal contra o tribalismo. Todos formamos uma única nação! Somos, todos, uma única nação! Assim deve ser o nosso coração. Para superar o tribalismo não basta levantar a mão hoje; isto é o desejo, é a decisão. Mas superar o tribalismo é um trabalho de todos os dias. Vencer o tribalismo é um trabalho de todos os dias; é um trabalho do ouvido: escutar o outro; um trabalho do coração: abrir o coração ao outro; um trabalho da mão: dar-se as mãos uns aos outros... E agora demo-nos as mãos uns aos outros.... «Não ao tribalismo!»

Sentai-vos!

Outra pergunta que fez Linette é sobre a corrupção. No fundo, perguntava-me: «Pode-se justificar a corrupção simplesmente com o facto de que todos estão a pecar, que todos são corruptos? Como podemos ser cristãos e combater o mal da corrupção?»

Lembro-me que, na minha pátria, um jovem de 20-22 anos queria dedicar-se à política; estudava, estava cheio de entusiasmo, sempre em movimento dum lado para o outro... Encontrou trabalho num Ministério. Um dia teve de decidir a propósito duma compra que era preciso fazer; então pediu três preventivos, estudou-os e escolheu o mais económico. Depois foi ao escritório do chefe para que o assinasse. «Porque escolheste este?» – «Porque é preciso escolher o mais conveniente para as finanças do país». – «Não, e não! É preciso escolher aquele que mais te enche os bolsos» – disse. Então o jovem respondeu ao chefe: «Eu vim fazer política para ajudar a pátria, para fazê-la crescer». E o chefe respondeu-lhe: «E eu faço política para roubar». Isto é apenas um exemplo; e não acontece apenas na política, mas em todas as instituições, incluindo o Vaticano, há casos de corrupção. A corrupção é algo que penetra dentro. É como o açúcar: é doce, gostamos, é fácil... e depois? Acabamos mal. Temos um fim desastrado. Com tanto açúcar fácil, acabamos diabéticos e também o nosso país se torna diabético.

Sempre que aceitamos uma «nota por baixo da mesa», um suborno, sempre que aceitamos uma «nota por baixo da mesa» e a metemos ao bolso, destruímos o nosso coração, destruímos a nossa personalidade e destruímos a nossa pátria. Por favor, não ganheis gosto a este «açúcar» que se chama corrupção. «Mas, Padre, eu vejo muitos que são corruptos, vejo tantas pessoas que se vendem por um punhado de dinheiro, sem se preocuparem com a vida dos outros». Como em todas as coisas, é preciso começar: se não queres a corrupção no teu coração, na tua vida, na tua pátria, começa tu… agora! Se não começas tu, também o teu vizinho não começará. A corrupção rouba-nos também a alegria, rouba-nos a paz. A pessoa corrupta não vive em paz.

Uma vez (isto que vos conto, é um facto histórico), na minha cidade, morreu um homem. Todos sabiam que era um grande corrupto. Então, alguns dias depois, perguntei: Como foi o funeral? E uma senhora, que tinha um grande sentido de humor, respondeu-me: «Padre, não conseguiam fechar o caixão, a urna, porque ele queria levar todo o dinheiro que roubara». Aquilo que roubais com a corrupção, ficará aqui e qualquer outro se aproveitará dele. Mas ficará também – tenhamo-lo bem em mente – no coração de tantos homens e mulheres que foram feridos pelo teu exemplo de corrupção. Ficará na falta de bem que poderias ter feito e não fizeste. Ficará nos adolescentes doentes, esfomeados, porque o dinheiro que era para eles, por causa da tua corrupção, gozaste-lo tu. Moços e moças, a corrupção não é um caminho de vida; é um caminho de morte.

Havia depois uma pergunta sobre o modo como usar os meios de comunicação para difundir a mensagem de esperança de Cristo e promover iniciativas justas para que se veja a diferença. O primeiro meio de comunicação é a palavra, é o gesto, é o sorriso. O primeiro gesto de comunicação é a proximidade. O primeiro gesto de comunicação é procurar a amizade. Se falardes bem entre vós, se sorrirdes uns para os outros, se vos aproximardes como irmãos; se vos aproximardes uns dos outros, mesmo pertencendo a tribos diferentes; se vos aproximardes de quem precisa, daqueles que são pobres, dos abandonados, dos idosos que ninguém visita, se estiverdes perto deles, estes gestos de comunicação são mais contagiosos do que qualquer rede de televisão.

Repassando todas estas perguntas, espero ter-vos dito algo que vos possa ajudar. Mas rezai muito a Jesus, suplicai ao Senhor que vos dê a força para destruir o tribalismo, para serdes todos irmãos; que vos dê a coragem para não vos deixardes corromper, que vos dê o desejo de poderdes comunicar entre vós como irmãos, com um sorriso, com uma palavra amável, com um gesto de ajuda e com a proximidade.

Também o Manuel fez perguntas incisivas no seu testemunho. Preocupa-me a primeira coisa que disse: «Que podemos fazer para impedir o recrutamento dos nossos entes queridos? Que podemos fazer para conseguir que regressem? Para responder a isto, devemos saber por que motivo um jovem, cheio de esperanças, se deixe recrutar ou se ofereça para ser recrutado. Afasta-se da sua família, dos seus amigos, da sua tribo, da sua pátria; afasta-se da vida, porque aprende a matar... Esta é uma pergunta que deveis pôr a todas as autoridades. Se um jovem, um moço ou uma moça, um homem ou uma mulher não têm emprego, não conseguem estudar, que podem fazer? Podem fazer-se delinquentes, cair numa forma de dependência, suicidar-se (na Europa, não se publicam as estatísticas de suicídios), ou arrolar-se numa actividade que lhes dê um objectivo na vida…, enganando-se.

A primeira coisa que devemos fazer para evitar que um jovem seja recrutado ou procure fazer-se recrutar é proporcionar-lhe instrução e trabalho. Se um jovem não tem trabalho, que futuro o espera? Daí provém a ideia de se deixar recrutar. Se um jovem não tem possibilidades de receber uma educação, mesmo uma educação de emergência, de pequenos encargos, que pode fazer? Aqui está o perigo! É um perigo social, que nos ultrapassa, que ultrapassa o próprio país, porque depende dum sistema internacional que é injusto, que não coloca a pessoa no centro da economia, mas o deus dinheiro. E que posso fazer para o ajudar ou trazê-lo de volta? Antes de mais nada, rezar; mas com força! Deus é mais forte que qualquer campanha de recrutamento. E depois? Falai-lhe com afecto, com ternura, com amor e com paciência. Convidai-o para ver um jogo de futebol, convidai-o para dar um passeio, convidai-o para estar junto no grupo. Não o deixeis sozinho. Isto é o que agora me vem à mente.

Com certeza há comportamentos – é a tua segunda pergunta – que prejudicam, comportamentos em que se procuram felicidades passageiras, que acabam depois por vos prejudicar. A pergunta que me fizeste, Manuel, é uma pergunta digna de um professor de teologia: «Como podemos compreender que Deus é nosso Pai? Como podemos ver a mão de Deus nas tragédias da vida? Como podemos encontrar a paz de Deus?» Esta pergunta, põem-na, duma forma ou doutra, os homens e mulheres de todo o mundo. E não encontram uma razão. Há perguntas a que, por mais que nos esforcemos em responder, não se consegue encontrar uma resposta. «Como posso ver a mão de Deus numa tragédia da vida?» Haverá ao menos uma resposta? Não, não há resposta. Só há uma estrada: olhar para o Filho de Deus. Deus entregou-O para nos salvar a todos. O próprio Deus fez-Se tragédia. O próprio Deus deixou-Se destruir na cruz. E, quando vier um momento incompreensível, quando estiverdes desesperados, quando o mundo vos cair em cima, olhai para a Cruz! Ali há o falimento de Deus; ali há a destruição de Deus. Mas ali há também um desafio à nossa fé: a esperança. Porque a história não acabou naquele falimento: houve a Ressurreição que nos renovou a todos.

Tenho uma confidência a fazer-vos… (Tendes fome? É meio-dia? Não...) Então vou fazer-vos uma confidência. No bolso, trago sempre duas coisas [tira-as para fora do bolso e mostra-as]: um terço, um terço para rezar; e outra coisa, que parece estranha... Que é isto? É a história do falimento de Deus, é uma Via-Sacra, uma pequena Via-Sacra [mostra uma caixa que se abre e contém pequenas imagens]: como Jesus sofreu desde quando foi condenado à morte até que foi sepultado... E, com estas duas coisas, procuro fazer o melhor que posso. Mas, graças a estas duas coisas, não perco a esperança.

Uma última pergunta do «teólogo» Manuel: «Que diria aos jovens que não experimentaram o amor nas suas famílias? É possível sair desta experiência?» Por todo o lado há adolescentes abandonados, ou porque foram abandonados ao nascer ou porque, na vida, os abandonaram a família, os pais, não sentindo o carinho da família. Por isso é tão importante a família. Defendei a família. Defendei-a sempre. Por todo o lado há não apenas crianças abandonadas, mas também idosos abandonados, que se encontram sem ninguém que os visite, sem ninguém que lhes queira bem. Como se pode sair desta experiência negativa de abandono, de falta de amor? Existe apenas um remédio para sair destas experiências: dar aquilo que eu não recebi. Se não recebestes compreensão, sede compreensivos com os outros; se não recebestes amor, amai os outros; se sentistes a tristeza da solidão, aproximai-vos daqueles que estão sozinhos. A carne cura-se com a carne! E Deus fez-Se carne para nos curar.

Façamos também nós o mesmo com os outros.

Bem, creio que sejam horas de concluir, antes que o árbitro apite o fim. De coração vos agradeço por terdes vindo, por me terdes permitido falar na minha língua materna... Agradeço-vos por terdes rezado tantos terços por mim. E, por favor, peço que rezeis por mim, porque também eu preciso… e muito! E antes de partirmos, peço-vos para os levantardes todos e rezarmos juntos ao nosso Pai do Céu, que tem apenas um defeito: não pode deixar de ser Pai! [recitação do Pai Nosso e a Bênção].

Fonte: Radio Vaticano [1]
Discurso: Vatican.va



Papa Francisco na África: Em favela de Nairóbi, Papa pede terra, teto e trabalho para todos (27/11/2015)


Nairóbi (RV) – O Papa Francisco iniciou o terceiro dia de atividades em Nairóbi, nesta sexta-feira (27/11), com uma visita a Kangemi, uma das grandes favelas da capital.[1]

Confira o Discurso na íntegra:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO 
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA 
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)

VISITA AO BAIRRO POBRE DE KANGEMI
DISCURSO DO SANTO PADRE

Nairobi (Quénia) Sexta-feira, 27 de Novembro de 2015

Obrigado por me terdes acolhido no vosso bairro. Obrigado ao Senhor Arcebispo Kivuva e ao Padre Pascal pelas suas palavras. Na realidade, sinto-me em casa partilhando este momento com irmãos e irmãs que ocupam – não tenho vergonha de o dizer – um lugar especial na minha vida e nas minhas opções. Estou aqui, porque quero que saibais que as vossas alegrias e esperanças, as vossas angústias e sofrimentos não me são indiferentes. Conheço as dificuldades que enfrentais dia a dia! Como não denunciar as injustiças que sofreis?

Antes de mais nada, queria deter-me num aspecto que os discursos de exclusão não conseguem reconhecer ou parecem ignorar. Refiro-me à sabedoria dos bairros populares. Uma sabedoria que brota da «obstinada resistência daquilo que é autêntico» (Laudato si’, 112), de valores evangélicos que a sociedade opulenta, entorpecida pelo consumo desenfreado, parecia ter esquecido. Vós sois capazes de «tecer laços de pertença e convivência que transformam a superlotação numa experiência comunitária, onde se derrubam os muros do eu e superam as barreiras do egoísmo» (ibid., 149).

A cultura dos bairros populares, permeada por esta sabedoria particular, «tem características muito positivas, que são uma contribuição para o tempo em que vivemos, exprime-se em valores como a solidariedade, dar a vida pelo outro, preferir o nascimento à morte, dar sepultura cristã aos seus mortos; oferecer um lugar para os doentes na própria casa, partilhar o pão com o faminto: “onde comem 10, comem 12”; a paciência e a fortaleza nas grandes adversidades, etc» (Equipa de Sacerdotes para as «Villas de Emergência» (Argentina), Reflexiones sobre la urbanización y la cultura villera, 2010). Valores baseados nisto: cada ser humano é mais importante do que o deus dinheiro. Obrigado por nos lembrardes que há outro tipo de cultura possível.

Queria começar por reivindicar estes valores que vós praticais, valores que não aparecem cotados na Bolsa, valores que não são objecto de especulação nem têm preço de mercado. Congratulo-me convosco, acompanho-vos e quero que saibais que o Senhor nunca Se esquece de vós. O caminho de Jesus começou na periferia, vai dos pobres e com os pobres para todos.

Reconhecer estas manifestações de vida boa que crescem diariamente entre vós não significa, de forma alguma, ignorar a terrível injustiça da marginalização urbana. São as feridas provocadas pelas minorias que concentram o poder, a riqueza e esbanjam egoisticamente enquanto a crescente maioria deve refugiar-se em periferias abandonadas, contaminadas, descartadas.

Isto agrava-se quando se vê a injusta distribuição do terreno (talvez não neste bairro, mas noutros) que, em muitos casos, leva famílias inteiras a pagarem aluguéis abusivos por habitações em condições imobiliárias completamente inadequadas. Sei também do grave problema da sonegação de terras por «empresários privados» sem rosto, que pretendem apropriar-se até do pátio da escola dos próprios filhos. Sucede isto porque se esquece que «Deus deu a terra a todo o género humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém» (João Paulo II, Centesimus annus, 31).

Nesta linha, um grave problema é a falta de acesso às infra-estruturas e serviços básicos. Refiro-me a balneários, fossas, esgotos, recolha de lixo, energia eléctrica, estradas, mas também escolas, hospitais, centros recreativos e desportivos, ateliês artísticos. Mas de modo particular refiro-me à água potável. «O acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos. Este mundo tem uma grave dívida social para com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isto é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável» (Laudato si’, 30). Negar a água a uma família, sob qualquer pretexto burocrático, é uma grande injustiça, sobretudo quando se lucra com essa necessidade.

Este contexto de indiferença e hostilidade, de que sofrem os bairros populares, agrava-se quando a violência se espalha e as organizações criminosas, ao serviço de interesses económicos ou políticos, utilizam crianças e jovens como «carne de canhão» para os seus negócios ensanguentados. Conheço também os sofrimentos das mulheres que lutam heroicamente para proteger os seus filhos e filhas destes perigos. Peço a Deus que as autoridades assumam juntamente convosco o caminho da inclusão social, da educação, do desporto, da acção comunitária e da tutela das famílias, porque esta é a única garantia duma paz justa, verdadeira e duradoura.

Estas realidades, que enumerei, não são uma combinação casual de problemas isolados. São, antes, uma consequência de novas formas de colonialismo que pretendem que os países africanos sejam «peças de um mecanismo, partes de uma engrenagem gigantesca» (João Paulo II, Ecclesia in Africa, 52). Na realidade, não faltam pressões para que se adoptem políticas de descarte, como a da redução da natalidade que pretende «legitimar o modelo distributivo actual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar» (Laudato si’, 50).

Neste sentido, proponho que se retome a ideia duma respeitosa integração urbana. Nem erradicação nem paternalismo, nem indiferença nem mero confinamento. Precisamos de cidades integradas e para todos. Precisamos de ir além da mera proclamação de direitos que, na prática, não são respeitados, e promover acções sistemáticas que melhorem o habitat popular e projectar novas urbanizações de qualidade para acolher as futuras gerações. A dívida social, a dívida ambiental para com os pobres das cidades paga-se tornando efectivo o direito sagrado dos «três T»: terra, tecto e trabalho. Isto não é filantropia, é um dever moral de todos.

Quero apelar a todos os cristãos, especialmente aos Pastores, para que renovem o impulso missionário, tomem iniciativa contra tantas injustiças, envolvam-se nos problemas dos vizinhos, acompanhem-nos nas suas lutas, salvaguardem os frutos do seu trabalho comunitário e celebrem juntos cada vitória pequena ou grande. Sei que já fazeis muito, mas peço-vos para recordardes que não é uma tarefa mais, mas é talvez a mais importante, porque «os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho» (Bento XVI, Encontro com o Episcopado Brasileiro, Catedral de São Paulo/Brasil, 11 de Maio de 2007, 3).

Queridos vizinhos, queridos irmãos! Rezemos, trabalhemos, comprometamo-nos juntos para que cada família tenha um tecto digno, tenha acesso a água potável, tenha um banheiro, tenha energia segura para iluminar, cozinhar e melhorar as suas casas... para que todo o bairro tenha estradas, praças, escolas, hospitais, espaços desportivos, recreativos e artísticos; para que os serviços básicos cheguem a cada um de vós; para que sejam ouvidas as vossas reclamações e o vosso grito por melhores oportunidades; para que todos possais gozar da paz e segurança que mereceis de acordo com a vossa dignidade humana infinita.

Mungu awabariki [Deus vos abençoe].
E peço, por favor, que não vos esqueçais de rezar por mim.

Fonte: Radio Vaticano [1]
Discurso: Vatican.va



Papa Francisco na África: Religião “jamais seja usada para justificar ódio e violência" (26/11/2015)

Religião “jamais seja usada para justificar ódio e violência"

Nairóbi (RV) – Na Nunciatura de Nairóbi, aonde passou a noite, o Papa presidiu na manhã desta quinta-feira (26/11) um Encontro Ecumênico e Inter-religioso, com a presença de líderes das diferentes confissões cristãs (anglicana, evangélica, metodista, pentecostal e outras) e das diversas crenças religiosas professadas no país. Também participaram algumas personalidades civis engajadas na promoção do diálogo inter-religioso.

Em seu discurso, Francisco advertiu que a religião “jamais deve ser usada para justificar o ódio e a violência” e lamentou que muitas vezes, “os jovens se tornam extremistas em nome da religião para semear discórdia e terror, para dilacerar o tecido das nossas sociedades”.[1]

Confira o Discurso na íntegra:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO 
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA 
(25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)
ENCONTRO ECUMÉNICO E INTER-RELIGIOSO
DISCURSO DO SANTO PADRE

Salão da Nunciatura Apostólica, Nairobi (Quénia) 
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

Queridos amigos!

Agradeço a vossa presença aqui hoje e a oportunidade de partilhar estes momentos de reflexão convosco. De modo particular, quero agradecer a D. Kairo, ao Arcebispo Wabukala e ao Professor El-Busaidy as palavras de boas-vindas que me dirigiram em nome pessoal e das respectivas comunidades. Considero importante que, ao visitar os católicos duma Igreja local, sempre tenha ocasião de encontrar os líderes doutras comunidades cristãs e doutras tradições religiosas. Tenho esperança de que este tempo transcorrido em conjunto possa ser um sinal da estima da Igreja pelos seguidores de todas as religiões; possa este encontro ajudar a fortalecer os laços de amizade que já existem entre nós.

A bem da verdade, esta relação coloca-nos perante um desafio; põe-nos questões. Mas o diálogo ecuménico e inter-religioso não é um luxo. Não é algo exterior ou opcional, mas é essencial, algo de que o nosso mundo, ferido por conflitos e divisões, tem cada vez mais necessidade.

Com efeito, as crenças religiosas e a maneira de as praticar influem sobre aquilo que somos e a compreensão do mundo que nos rodeia. São, para nós, fonte de iluminação, sabedoria e solidariedade, enriquecendo assim as sociedades onde vivemos. Ao cuidar do crescimento espiritual das nossas comunidades, ao formar as mentes e os corações para a verdade e os valores ensinados pelas nossas tradições religiosas, tornamo-nos uma bênção para as comunidades onde vive o nosso povo. Numa sociedade democrática e pluralista como o Quénia, a cooperação entre os líderes religiosos e as suas comunidades torna-se um importante serviço ao bem comum.

À luz disto e num mundo cada vez mais interdependente, vemos cada vez mais claramente a necessidade da compreensão inter-religiosa, da amizade e da cooperação na defesa da dignidade conferida por Deus a cada um dos indivíduos e aos povos, e o seu direito de viver em liberdade e felicidade. Ao defender e respeitar tal dignidade e tais direitos, as religiões desempenham um papel essencial para se formar as consciências, incutir nos jovens os valores espirituais profundos das nossas respectivas tradições, formando bons cidadãos, capazes de impregnar a sociedade civil de honestidade, integridade e uma visão do mundo que valorize a pessoa humana no que diz respeito ao poder e ao ganho material.

Penso aqui na importância da nossa convicção comum segundo a qual, o Deus a quem procuramos servir, é um Deus de paz. O seu Nome Santo não deve jamais ser usado para justificar o ódio e a violência. Permanece viva, em vós, a memória deixada pelos bárbaros ataques ao Westgate Mall, ao Garissa University College e a Mandera. Com muita frequência, tornam-se os jovens extremistas em nome da religião para semear discórdia e terror, para dilacerar o tecido das nossas sociedades. Como é importante que nos reconheçam como profetas de paz, pacificadores que convidam os outros a viver em paz, harmonia e respeito mútuo! Que o Todo-Poderoso toque os corações de quantos estão envolvidos nesta violência e conceda a sua paz às nossas famílias e comunidades.

Queridos amigos, comemora-se este ano o cinquentenário do encerramento do Concílio Vaticano II, no qual a Igreja Católica se comprometeu no diálogo ecuménico e inter-religioso ao serviço da compreensão e da amizade. Pretendo reiterar este compromisso, que nasce da nossa convicção da universalidade do amor de Deus e da salvação que Ele oferece a todos. O mundo espera, e com razão, que os crentes trabalhem juntamente com as pessoas de boa vontade para enfrentar os numerosos problemas da família humana. Com os olhos no futuro, rezemos para que todos os homens e mulheres se considerem irmãos e irmãs, unidos pacificamente nas suas diferenças e através delas. Rezemos pela paz!

Agradeço a vossa atenção, e peço a Deus Todo-Poderoso que vos conceda, a vós e às vossas comunidades, a abundância das suas bênçãos.

Fonte: Radio Vaticano [1]
Discurso: Vatican.va



Papa Francisco: Homilia na Primeira Missa em Nairóbi-África (26/11/2015)

Missa em Nairóbi: o amor de Deus contra novos desertos da indiferença 

Cidade do Vaticano (RV) – O Papa Francisco celebrou na manhã desta quinta-feira (26/11) a primeira missa em solo africano. No campus da Universidade de Nairóbi, apesar da chuva, um milhão de fiéis participou da celebração. [1]
Confira a Homilia na íntegra:

VIAGEM APOSTÓLICA DO PAPA FRANCISCO 
AO QUÉNIA, UGANDA E REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA
 (25-30 DE NOVEMBRO DE 2015)
SANTA MISSA HOMILIA DO SANTO PADRE

Campus da Universidade de Nairobi (Quénia)
Quinta-feira, 26 de Novembro de 2015

A palavra de Deus toca-nos no mais íntimo do coração. Hoje, Deus diz-nos que Lhe pertencemos. Foi Ele quem nos fez, somos a sua família, e Ele estará sempre ao nosso dispor. Não temais – diz-nos Ele! Eu vos escolhi e prometo dar-vos a minha bênção (cf. Is 44, 2).

Escutámos esta promessa na primeira Leitura de hoje. O Senhor diz-nos que fará jorrar água no deserto, numa terra sequiosa; fará com que os filhos do seu povo floresçam como a erva e como salgueiros exuberantes. Sabemos que esta profecia se cumpriu com a efusão do Espírito Santo no Pentecostes. Mas vemos que se cumpre também onde quer que o Evangelho é pregado, quando novos povos se tornam membros da família de Deus, a Igreja. Hoje alegramo-nos, porque se cumpriu nesta terra. Através da pregação do Evangelho, tornastes-vos também participantes da grande família cristã.

A profecia de Isaías convida-nos a olhar para as nossas famílias, dando-nos conta de como são importantes no plano de Deus. A sociedade do Quénia tem sido longamente abençoada com uma vida familiar sólida, um respeito profundo pela sabedoria dos idosos e o amor pelas crianças. A saúde de qualquer sociedade depende da saúde das famílias. Para nosso próprio bem e para bem da sociedade, a nossa fé na Palavra de Deus chama-nos a sustentar a missão das famílias na sociedade, a acolher as crianças como uma bênção para o nosso mundo, e a defender a dignidade de cada homem e mulher, pois somos todos irmãos e irmãs na única família humana.

Obedecendo à Palavra de Deus, somos chamados também a resistir a práticas que favorecem a arrogância nos homens, ferem ou desprezam as mulheres e ameaçam a vida dos inocentes nascituros. Somos chamados a respeitar-nos e encorajar-nos uns aos outros, e a aproximar-nos de todos os necessitados. As famílias cristãs têm esta missão especial: irradiar o amor de Deus e difundir a água vivificante do seu Espírito. Isto é particularmente importante hoje, porque assistimos ao crescimento de novos desertos criados por uma cultura de materialismo e indiferença para com os outros.

Aqui no coração desta Universidade, onde se formam as mentes e os corações das novas gerações, faço apelo de modo especial aos jovens da nação. Os grandes valores da tradição africana, a sabedoria e a verdade da Palavra de Deus e o idealismo generoso da vossa juventude vos guiem no compromisso de formar uma sociedade que seja cada vez mais justa, inclusiva e respeitadora da dignidade humana. Tende sempre a peito as necessidades dos pobres e rejeitai tudo aquilo que leva ao preconceito e à discriminação, porque estas coisas – como sabemos – não são de Deus.

Todos conhecemos bem a parábola de Jesus que fala do homem que construiu a sua casa sobre a areia, em vez de o fazer sobre a rocha. Quando sopraram os ventos, a casa desmoronou-se e a sua ruína foi grande (cf. Mt 7, 24-27). Deus é a rocha sobre a qual somos chamados a construir. Assim no-lo diz Ele na primeira Leitura, perguntando: «Acaso há outro Deus além de Mim?» (Is 44,8).

E também quando Jesus ressuscitado afirma, no Evangelho de hoje, «foi-Me dado todo o poder no Céu e na Terra» (Mt 28, 18), pretende dizer-nos que Ele mesmo, o Filho de Deus, é a rocha. Não há mais nenhuma além d’Ele. Como único Salvador da humanidade, deseja atrair a Si homens e mulheres de todos os tempos e lugares, para poder levá-los ao Pai. Quer que todos construamos a nossa vida sobre o alicerce firme da sua palavra.

E esta é a tarefa que o Senhor dá a cada um de nós. Pede-nos para sermos discípulos missionários, homens e mulheres que irradiem a verdade, a beleza e a força do Evangelho que transforma a vida. Homens e mulheres que sejam canais da graça de Deus, que permitam à sua misericórdia, benevolência e verdade tornar-se os elementos de construção duma casa que quer permanecer firme. Uma casa que é um lar, onde irmãos e irmãs vivem, finalmente, em harmonia e respeito mútuo, obedecendo à vontade do verdadeiro Deus, que nos mostrou, em Jesus, o caminho para a liberdade e a paz a que aspiram todos os corações.

Que Jesus, o Bom Pastor, a rocha sobre a qual construímos as nossas vidas, vos guie, a vós e às vossas famílias, pelo caminho do bem e da misericórdia durante todos os dias da vossa vida. Ele abençoe todos os habitantes do Quénia com a sua paz.

«Sede fortes na fé! Não tenhais medo», porque pertenceis ao Senhor.
Mungu awabariki! [Deus vos abençoe!] Mungu abariki Kenya! [Deus abençoe o Quénia!]

Fonte: Radio Vaticano [1]
Homilia: Vatican.va



sábado, 28 de novembro de 2015

Orando para que nossa vida tenha novo sentido com Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa-Pe Marcelo Rossi


Boa noite irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!
Hoje (28 de novembro), o Padre Marcelo Rossi terminou as orações com o lema: 
"Vamos juntos fazer uma novena com Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa com o tema: Novo Pentecostes!! Batismo no Espírito Santo, Reavivamento."
Trouxe para vocês cinco lindos cartões que o Padre Marcelo colocou no facebook. E peguei do site do Padre Reginaldo Manzotti a "Súplica a Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa".

Fiquem todos na paz de Deus, um abençoado fim de semana no Amor Ágape de Jesus e no Amor Materno de Nossa Senhora.
Adriana dos Anjos-Devoção e Fé

Súplica a Nossa Senhora – Oração para todos os dias

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao comtemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).
Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas.
E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre verdadeiros cristãos. Amém. 


Rezar 3 Ave-Maria. 


Jaculatória: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. 



Mensagem do Padre Marcelo Rossi por E-mail:
AMADOS, VAMOS JUNTOS FAZER UMA NOVENA COM NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MILAGROSA COM O TEMA: NOVO PENTECOSTES!! BATISMO NO ESPÍRITO SANTO REAVIVAMENTO! 

Com Nossa Senhora das Graças, vamos neste pentecostes, continuar focando um total reavivamento em nossas vidas, para, NOVENA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MILAGROSA COM O TEMA: NOVO PENTECOSTES, BATISMO NO ESPÍRITO, REAVIVAMENTO! 
Nesta semana, focamos em todas as nossas orações e pedidos, uma total renovação, um total reavivamento em nossa existência. Como frisamos no início da semana, o mundo de hoje passa por uma séria inversão de valores, formando inúmeros seres humanos sem noção do que é realmente certo ou errado, provocando uma terrível falta de respeito a dogmas essenciais para uma vida em comunidade adequada e, principalmente, sob os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus. Para que nossa vida tenha um novo sentido, vamos juntos orar para que nesta NOVENA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MILAGROSA COM O TEMA: N OVO PENTECOSTES, BATISMO NO ESPÍRITO, REAVIVAMENTO!!

Amados, desça sobre todos vós a bênção de Deus Todo Poderoso em Nome: Do Pai †, e do Filho †, e do Espírito Santo †. Amém!


"Ás vezes enxergamos os erros dos outros, mas somos cegos quanto aos nossos."







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*Facebook Padre Marcelo Rossi:



**Programa Nosso Momento de Fé com Padre Marcelo Rossi: 
Rádio Globo Am/FM (ou internet) de segunda a sábado, das 9:05 às 10:05hs
**Se você não pode ouvir no horário, escute o programa gravado diariamente no site do Padre Marcelo Rossi; procure por Web Radio e clique escute (se for sua primeira vez, o site pedirá para você se cadastrar);

*Site Padre Marcelo Rossi: 




Nossa Senhora das Graças: O que Ela não consegue de Deus?


O que Ela não consegue de Deus? 

Prof. Felipe Aquino

Um dos mais valiosos presentes da Santíssima Virgem para a humanidade, foi dado no dia 27 de novembro de 1830, por meio de Santa Catarina Labouré, humilde freira da Congregação das Filhas da Caridade. Isto foi na Rua De Lubac, no centro de Paris, na Capela da Medalha Milagrosa.

Nesse dia, segundo relata a Vidente, Nossa Senhora apareceu-lhe mostrando nos dedos anéis incrustados de belíssimas pedras preciosas, “lançando raios para todos os lados, cada qual mais belo que o outro”.

Em seguida, formou-se em torno da Virgem uma moldura ovalada no alto da qual estavam escritas em letras de ouro as seguintes palavras, a bela jaculatória: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

A Virgem apareceu sobre um Globo, a Terra, pisando a cabeça da Serpente e segurando nas mãos um globo menor, oferecendo-o a Deus, num gesto de súplica. E diz a Santa Catarina: “Este globo representa o mundo inteiro e cada pessoa em particular”. De repente, o globo desapareceu e suas mãos se estenderam suavemente, derramando sobre o globo brilhantes raios de luz.

E Santa Catarina ouviu uma voz que lhe dizia: “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança.”

Em 1832, uma violenta epidemia de cólera assolou a cidade de Paris. Foram, então, cunhados os primeiros exemplares da medalha, logo distribuídos aos doentes. À vista das graças extraordinárias e numerosas obtidas por meio dessa medalha, o povo passou a chamá-la de Medalha Milagrosa. Em pouco tempo, essa devoção difundiu-se pelo mundo inteiro, e foi enriquecida com a composição de uma Novena.

Nossa Senhora foi a única criatura que nunca ofendeu a Deus, por isso o Anjo a chama de “cheia de Graça”; assim, ela encanta o coração de Deus e Este lhe atende todas as súplicas como nos mostra as Bodas de Caná da Galileia. Se os nossos pecados dificultam a nossa comunhão com Deus e nos impedem de obter suas graças, isto não ocorre com Nossa Senhora, então, como boa Mãe, ela se põe como nossa magnífica intercessora.

Mais do que em outros dias, hoje é dia de Graças; peça tudo o que desejar a Nossa Senhora das Graças e já comece a agradecer; pois, se for para o seu bem, Deus lhe concederá pelas mãos benditas de Sua Mãe querida. Afinal, ela é a Filha predileta do Pai, a Esposa bendita do Espírito Santo e a Mãe Santa do Filho de Deus. O que ela não consegue de Deus?

Fonte: Cleófas



sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Hoje é celebrada Nossa Senhora das Graças, a Virgem da Medalha Milagrosa (27 de novembro)


REDAÇÃO CENTRAL, 27 Nov. 15 / 07:00 am (ACI).- “Fazei cunhar uma medalha conforme este modelo. Todos os que a usarem, trazendo-a ao pescoço, receberão grandes graças. Estas serão abundantes para aqueles que a usarem com confiança”, disse Nossa Senhora a Santa Catarina Labouré, no dia 27 de novembro de 1830.

Foi neste ano de 1830 que a Virgem Maria apareceu para a Irmã Catarina de Labouré, da Congregação das Filhas da Caridade, primeiramente na noite de 18 de junho. Um anjo despertou a religiosa e a conduziu até a capela, onde encontrou a Mãe de Deus e conversou com ela por mais de duas horas, ao final da qual Maria lhe disse: “Voltarei, minha filha, porque tenho uma missão para te confiar”.

No dia 27 de novembro do mesmo ano, a Santíssima Virgem voltou a aparecer para Catarina. A Mãe de Deus estava com uma veste branca e manto azul. Conforme relatou a religiosa, era de uma “beleza indizível”. Os pés estavam sobre um globo branco e esmagavam uma serpente.

Suas mãos, à altura do coração, seguravam um pequeno globo de ouro, coroado com uma pequena cruz. Levava nos dedos anéis com pedras preciosas que brilhavam e iluminavam em toda a direção.

A Virgem olhou para Santa Catarina e lhe disse: “O globo que vês representa o mundo inteiro, especialmente a França e cada alma em particular. Estes raios são o símbolo das graças que Eu derramo sobre as pessoas que me pedem. As pérolas que não emitem raios são as graças das almas que não pedem”.

O globo de ouro que a Virgem Maria estava segurando se desvaneceu e seus braços se estenderam abertos, enquanto os raios de luz continuavam caindo sobre o globo branco dos pés.

Nesse momento, formou-se um quadro oval em torno de Nossa Senhora, com as seguintes palavras em letras douradas: “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós”.

Então, a Maria pediu para que Catarina que mandasse cunhar a medalha, segundo o que estava vendo.

A aparição girou e no reverso estava a letra “M” encimada por uma cruz que tinha uma barra em sua base, a qual atravessava a letra. Embaixo figurava o coração de Jesus, circuncidado com uma coroa de espinhos, e o coração de Nossa Senhora, transpassado por uma espada. Ao redor havia doze estrelas.

A manifestação voltou a acontecer por volta do final de dezembro de 1830 e a princípios de janeiro de 1831.

Em 1832, o Bispo de Paris autorizou a cunhagem da medalha e assim se espalhou pelo mundo inteiro. Inicialmente a medalha era chamada “da Imaculada Conceição”, mas quando a devoção se expandiu e se produziram muitos milagres, foi chamada “Medalha Milagrosa”, como é conhecida até nossos dias.

Para celebrar este dia em que recordamos Nossa Senhora das Graças, confira a seguir a oração para pedir o auxílio da Virgem:

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, do poder ilimitado que vos deu o vosso divino Filho sobre o seu coração adorável. Cheio de confiança na vossa intercessão, venho implorar o vosso auxílio. Tendes em vossas mãos a fonte de todas as graças que brotam do Coração amantíssimo de Jesus Cristo; abri-a em meu favor, concedendo-me a graça que ardentemente vos peço. Não quero ser o único por vós rejeitado; sois minha Mãe, sois a soberana do coração de vosso divino Filho.

Sim, ó virgem santa, não esqueçais as tristezas desta terra; lançai um olhar de vontade aos que estão no sofrimento, aos que não cessam de provar o cálice das amarguras da vida. Tende piedade dos que se amam e que estão separados pela discórdia, pela doença, pelo cárcere, pelo exílio ou pela morte. Tende piedade dos que choram dos que suplicam e dai a todos o conforto, a esperança e a paz! Atendei, pois, à minha humilde súplica e alcançai-me as graças que agora fervorosamente vos peço por intermédio de vossa santa Medalha Milagrosa! Amém.

Fonte: ACIdigital



Vamos orar a Novena de Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa-Pe Marcelo Rossi


Boa noite irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!
Hoje (27 de novembro), o Padre Marcelo Rossi continuou orações com o lema: 
"Vamos juntos fazer uma novena com Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa com o tema: Novo Pentecostes!! Batismo no Espírito Santo, Reavivamento."
Trouxe para vocês seis lindos cartões que o Padre Marcelo colocou no facebook. E peguei no site do Padre Reginaldo Manzotti a "Súplica a Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa".

Fiquem todos na paz de Deus, um abençoado fim de semana no Amor Ágape de Jesus e no Amor Materno de Nossa Senhora.
Adriana dos Anjos-Devoção e Fé

Súplica a Nossa Senhora – Oração para todos os dias

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao comtemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expor, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades (momento de silêncio e de pedir a graça desejada).
Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior glória de Deus, engrandecimento do vosso nome, e o bem de nossas almas.
E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre verdadeiros cristãos. Amém. 


Rezar 3 Ave-Maria. 


Jaculatória: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós. 



Mensagem do Padre Marcelo Rossi por E-mail:
AMADOS, HOJE DIA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS DA MEDALHA MILAGROSA, VAMOS JUNTOS FAZER UMA NOVENA COM NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MILAGROSA COM O TEMA: NOVO PENTECOSTES!!  BATISMO NO ESPÍRITO SANTO REAVIVAMENTO! 
Hoje vamos nos colocar aos pés da Virgem Mãe de Deus,  NOVENA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MILAGROSA COM O TEMA: NOVO PENTECOSTES, BATISMO NO ESPÍRITO, REAVIVAMENTO! Em 27 de novembro de 1830, na capela das Irmãs Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo, na França, Santa Catarina Labouré teve uma visão de Nossa Senhora. A Virgem Santíssima estava de pé sobre um globo, segurando com as duas mãos outro globo menor, sobre o qual aparecia uma cruzinha de ouro. Dos dedos das suas mãos, que de repente encheram-se de anéis com pedras preciosas, partiam raios luminosos em todas as direções e num gesto de súplica, Nossa Senhora oferecia o globo ao Senhor. Assim, hoje é comemorado o dia de Nossa Senhora das Graças, por isso hoje vamos orar:   NOVENA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, DA MEDALHA MI LAGROSA COM O TEMA: NOVO PENTECOSTES, BATISMO NO ESPÍRITO, REAVIVAMENTO!

Amados, desça sobre todos vós a bênção de Deus Todo Poderoso em Nome: Do Pai †, e do Filho †, e do Espírito Santo †. Amém!


"Lembre-se de que colheremos, infalivelmente, aquilo que houvermos semeado. Se estamos sofrendo, é porque estamos colhendo os frutos amargos das sementeiras errôneas do passado. Fique alerta quanto ao momento presente! Plante apenas sementes de otimismo e de Amor, para colher amanhã os frutos doces da alegria e da felicidade. Cada um colhe, exatamente, aquilo que plantou."








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**Programa Nosso Momento de Fé com Padre Marcelo Rossi: 
Rádio Globo Am/FM (ou internet) de segunda a sábado, das 9:05 às 10:05hs
**Se você não pode ouvir no horário, escute o programa gravado diariamente no site do Padre Marcelo Rossi; procure por Web Radio e clique escute (se for sua primeira vez, o site pedirá para você se cadastrar);

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Avisos

Olá irmãs e irmãos de fé! Paz e Bem!

Para ajudar, tenho colocado as orações do programa de rádio Momento de Fé, porém muitos estão se confundindo e achando que meu blog é do Padre Marcelo Rossi. Irmãs(os), este blog não é do Padre Marcelo Rossi, para que sua mensagem chegue ao padre, você terá que acessar os sites dele : 1) Padre Marcelo Rossi 2) Facebook Padre Marcelo Rossi

Obrigada - Adriana/Devoção e Fé

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