A Trindade e a Unidade em Deus nas perspectivas de alguns Padres da Igreja - Devoção e Fé - Blog Católico

sábado, 30 de maio de 2015

A Trindade e a Unidade em Deus nas perspectivas de alguns Padres da Igreja

A Trindade e a Unidade em Deus nas perspectivas 
de alguns Padres da Igreja

Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)-CNBB

Introdução

Domingo, dia 31 de maio festejaremos a Santíssima Trindade, festa linda, cheia do amor de Deus para a realidade humana. É envolvente para o ser humano, o mistério do Deus Uno e Trino de tal modo que, no início de uma vida ou de uma atividade, uma celebração eucarística, outros sacramentos e o fim das atividades, são invocadas as três Pessoas da Santíssima Trindade. Para quem tem fé, o mistério é fascinante, atraente; nele há a plenitude das coisas, da vida com que o ser humano sonha e busca com muito amor uma participação de sua realização neste mundo e um dia na eternidade. No entanto, não basta só falar sobre o mistério: é preciso entrar nele, através da oração, da contemplação e da adoração. No momento atual, da crise da modernidade, marcados pelo individualismo e fragmentação das coisas, faz-se necessária uma experiência de Deus Uno e Trino para realizar as coisas em conformidade com o seu plano em relação ao ser humano. Uma pastoral, um movimento, cada um de nós teremos uma atuação junto ao Povo de Deus e na sociedade com maior ânimo e força, a partir de sua fonte original, Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. A fé cristã, católica não diz que eles são três deuses, mas um só Deus em três Pessoas. O pensamento trinitário foi bastante desenvolvido em todo o período patrístico de modo que veremos alguns dos padres da Igreja, como especificaram o mistério em suas vidas e na missão na comunidade eclesial e no mundo.



1. A doutrina trinitária na liturgia e os termos Trindade, Pessoa, criação do ser humano.

Em geral tem os padres da Igreja elaboraram a doutrina da Unidade e da Trindade em Deus ligada ao batismo e à liturgia eucarística através do Credo, os creios nas suas formas apostólica e o niceno-constantinopolitana. Aqueles e aquelas que recebiam o batismo, a crisma e a eucaristia na noite santa, isto é no sábado santo proferiam a sua fé pública em Deus Uno e Trino e como o deviam demonstrar essas verdades na sua vida pessoal, comunitária e social.

É claro que a doutrina trinitária teve alguns pensadores, pessoas importantes que ajudaram ao povo de Deus a viver o mistério em suas vidas. Tertuliano(160-220) foi o primeiro padre da Igreja que aplicou o termo latino Trinitas(Trindade) às três Pessoas Divinas. Ele explica a compatibilidade entre a unidade e a trindade de Deus fazendo ressaltar a unicidade das três na sua substancia. O Filho é da substância do Pai. O Espírito Santo é do Pai através do Filho. Por isso Tertuliano afirma sempre que tem uma só substancia nas três pessoas unidas. Tertuliano é também o primeiro a usar o termo persona (Pessoa), relação, destinado a tornar-se assim célebre no desenvolvimento de todo o pensamento trinitário, posterior. Apresenta o Logos como outro do Pai no sentido da Pessoa não da substância pela distinção não pela divisão. Tertuliano aplica o termo Pessoa também referido ao Espírito Santo, que ele chama a terceira Pessoa. Na Obra Adversus Praxean, 12, encontramos uma referência linda da santíssima trindade em relação à criação do ser humano, homem e mulher: "A pluralidade na Trindade está ligada à unidade, e por isto nos perguntamos se seria possível um só e singular ser exprimir-se ao plural e dizer: Façamos o homem a nossa imagem e semelhança? Não teria antes dito: Faço o homem a minha imagem e semelhança, enquanto ser único e singular? E logo em seguida nós lemos: vês, o homem tornou-se como um de nós. Não era porque junto ao Pai, estão o Filho e o Espírito Santo que se expressam no plural, considerando-se este aspecto como múltiplo? Certo a razão estava no fato porque já tinha junto de si o seu Filho, o seu mesmo Verbo, a segunda pessoa e além disto uma terceira pessoa, o Espírito no Verbo. Por isto adotou à arte as formas do plural: façamos a nossa imagem; fez-se como um de nós. Com quem criava de fato o homem? e a quem o fazia semelhante? Falava com o Filho que devia revestir a forma humana e com o Espírito que devia santificar o ser humano(homem e mulher), como se falasse com outros ministros e testemunhas".

Orígenes(185-253) também desenvolveu a doutrina trinitária, bastante expressiva na teologia posterior ao afirmar que o Pai é ingerado, o Filho gerado e o Espírito Santo procede do Pai pelo Filho. Ele tem presente que nunca teve um tempo em que o Filho não existisse, mas Ele sempre existiu junto do Pai, assim como o Espírito Santo.

2. A manifestação do mistério do Deus Uno e Trino

Gregório de Nazianzo(330-390) falou da manifestação do mistério por etapas na história humana. O Bispo Gregório era convicto de que a Trindade se revelou ao ser humano aos poucos, progressivamente e pedagogicamente, de modo que Deus mesmo preparou a humanidade à sua manifestação. O AT anunciou de modo explícito a existência do Pai, enquanto a existência do Filho foi anunciada de modo mais obscuro. O NT manifestou a existência do Filho, enquanto faz soar nas entrelinhas a natureza divina do Espírito Santo.

O ser humano foi educado por Deus, para acolher o mistério da Trindade, também pela palavra da Igreja. Esta, aos poucos, foi anunciando a divindade do Pai para assim proclamar manifestamente a do Filho e do Espírito Santo. Dessa forma, não houve uma apresentação de um alimento superior às nossas forças ou se nós tivéssemos que perceber a luz do sol, bastante forte, com um uma vista por demais débil e fraca. Assim Gregório diz que nós adoramos Deus, o Pai, Deus, o Filho, e Deus, o Espírito Santo, três Pessoas numa única natureza divina, à qual é dada a glória, a honra, a onipotência. Não são três seres separados, um do outro, à maneira do politeísmo, como fez Ário ou a doutrina idealizada por Sabélio. O Nazianzeno, como os Padres desse período histórico, procuraram superar essas duas heresias: de um lado, a confusão proveniente de Sabélio, que negava as Pessoas para ressaltar a unidade em Deus, e, de outro, as Pessoas tornavam-se essências diferentes, negando-se a unidade.

3. O que dizer da Trindade?

Para falar da Trindade, Gregório de Nazianzo reforçou a unidade em Deus: um só é Deus, privado de início de causa, não-circunscrito por um ser a ele anterior ou que poderá vir posteriormente. Gregório afirma que as três Pessoas são eternas, estão fora do tempo e do espaço: “Desde quando o Pai existe? Não existe um momento no qual o Pai não existisse; ele sempre existiu. Isto vale também para o Filho e o Espírito Santo”. Assim o Filho e o Espírito Santo são coeternos com o Pai, porque provêm dele. Como o Pai é sem princípio, o Filho e o Espírito Santo são sem princípio, assim como o sol não é anterior à luz.
O Nazianzeno descreve a geração do Filho; ela não é sujeita a paixões (apathês), pelo fato de que é sem corpo (asômatos), enquanto que a geração humana é sujeita às paixões, porque é corpórea. Na geração do Filho, o Pai não sofreu paixão alguma, totalmente diferente das gerações que se confiam à carne, porque é espiritual, inefável, divina. Se, na realidade humana, o pai tem o seu início como pai pelo nascimento de um filho seu, na realidade divina, o tempo não existe, porque as duas Pessoas coexistem, sendo que uma não é anterior à outra.

O Pai é Deus e o é desde sempre, assim como o Filho e o Espírito Santo, um só Deus em três pessoas. Assim a geração do Filho não pode ser compreendida em termos humanos, porque ela foge da razão; ela é também fora do tempo, é eterna, porque o Pai é eterno. Se a própria geração humana é incompreensível, tanto mais aquela divina, a ponto de Gregório dizer: “Quanto Deus é impenetrável ao homem, tanto a geração celeste é mais incompreensível para ti”.

A visão que Gregório tem do Espírito é a sua procedência do Pai. Ele não é gerado, porque ele não é o Filho, mas ele é Deus como o Pai e o Filho. A ele não falta nada, porque é Deus, assim como também o Filho. Ele não é diminuído segundo a substância, enquanto os termos de “não ter sido gerado”, “ter sido gerado e proceder” indicam o Pai, o Filho e o Espírito Santo, de modo que se conserva não confundida a distinção das três pessoas na única natureza e única dignidade da essência divina. O Filho não é o Pai; o Pai não é o Filho e o Espírito Santo não é o Pai e o Filho. Os três são uma só divindade quanto à natureza e único ser.

4. A Trindade Santa como Luz e Sabedoria e uma só Essência

Agostinho(350-430) fala do mistério da Santíssima Trindade; “O Pai é luz, o Filho é luz, o Espírito Santo é luz; todas as três juntas não constituem três luzes, mas uma só luz. Como conseqüência o Pai é sabedoria, o Filho é Sabedoria e o Espírito Santo é Sabedoria e juntas não fazem três sabedorias, mas uma só Sabedoria. E porque ser é a mesma coisa que ter sabedoria, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são uma só essência. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só Deus. A Santíssima Trindade mora em nós. Agostinho afirmava que depois que Cristo partiu para a casa do Pai, as três pessoas permaneceram nas pessoas de uma forma espiritual não só o Espírito Santo, mas também o Pai e o Filho.

Ambrósio, bispo de Milão(340-397) diz que o Pai é único, o Filho Unigênito único é único é também o Espírito Santo é único, porque o Pai não é o Filho, nem o Filho é o Pai e nem menos o Espírito Santo é o Filho. Uma pessoa é o Pai, uma outra é o Filho e uma outra ainda o Espírito Santo. Nós lemos de fato; eu pedirei ao Pai e Ele dará um outro Consolador(cf. Jo 14,16); e não há que um só Deus”.

Na mesma linha, o bispo Atanásio de Alexandria(328-373) afirmou a doutrina trinitária contra a doutrina ariana do ser criatura do Filho: “A Trindade santa e perfeita é aquela que se revela no Pai e no Filho e no Espírito Santo; nada de estranho ou extrínseco se lhe mistura, nem consta do Criador e da criatura; mas possui em si todo o poder de criar e fazer. Sua natureza é também igual e indivisa e una é sua eficácia e ação. Pois o Pai, pelo Verbo no Espírito Santo, tudo faz e, deste modo, se conserva a unidade da santa Trindade”.

Conclusão

Nós somos chamados a acolher Deus Uno e Trino em nossas vidas através do batismo, da crisma, da eucaristia e outros sacramentos, bem como pela oração, adoração, meditação da Palavra de Deus. Deus mora em nós. É preciso descobrir esta presença salvadora e amigável em nossos corações, mente, corpo humano, espírito. Nós devemos adorar Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo em nossas vidas, não como três deuses, mas um só Deus em três Pessoas. É o mistério envolvente em tudo aquilo que realizamos neste mundo. Ele é o principio e o fim de tudo. Procuremos realizar todas as pastorais e os movimentos, sacramentos, ações, em nome de Deus Uno e Trino. Os Padres da Igreja desenvolveram a doutrina trinitária tendo presentes a Unidade em Deus e as Três Pessoas divinas e a sua relação com a criação do ser humano, homem e mulher e toda a natureza. Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre, Amém.

Fonte: CNBB



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